Como o juiz Sergio Moro foi trucidado e passado num picador de dicionários

Crédito da foto: brasil.elpais.com
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No extraordinário Fargo (1996), de Joel Coen, Carl Showalter (Steve Buscemi) é morto, seu corpo cortado em pedaços e moído por um picador de gelo por Gaear Grimsrud (Peter Stormare), um psicopata, seu companheiro de crime.

Resumindo a história: o gerente de uma loja de automóveis, Jerry Lundegaard (William H. Macy), forja o sequestro da própria esposa (Kristin Rudrud) e faz um acordo com dois marginais (Buscemi e Stormare), que ganhariam pelo feito um carro novo e metade dos 80 mil dólares que seriam pagos pelo seu sogro.

O humor negro de Coen passeia por um emaranhado de marchas e contramarchas, e o sequestro forjado sai de controle; quatro pessoas são assassinadas (incluindo Rudrud) até que a chefe de polícia local, a grávida Marge Gunderson (Frances McDormand), desvenda a trama meio que por acaso.

A vida toda, apesar dos vários filamentos que a une, parece sempre um improvável acaso.

A “moeção” de Showalter / Buscemi se parece um bocado com a atual situação do juiz federal Sergio Moro, responsável pela investigação do Escândalo do Lava Jato, cujas ações e atitudes vivem de ser desmontadas por blogueiros, jornalistas e quejandos.

Dia sim, outro também alguém ou alguéns desmonta/m o juiz paranaense.

Mas ao contrário de Showalter / Buscemi, Moro continua na sua saga, e os Grimsrud / Stormare que, dia sim outro também, o matam, o cortam em pedaços e o moem em máquinas picadoras de gelo, que tratem de começar no dia seguinte tudo de novo, pois o juiz paranaense parece continuar meio que impávido e meio que “não estou nem aí” para o “noticioso”, que tem mais cara de apupos de torcida de futebol ou de fofoquinhas de condomínio.

A saga moroista talvez não seja mesmo um novo filme de Joel Coen e nem um filme de humor-negro, mas, tão somente, os reflexos de uma tendência atual de não se usar as palavras nas suas acepções corretas.

E aqui se fala do verbo desmontar.

Então vamos a ele:

Desmontar: desfazer o que estava montado, separar as peças; descer de um animal; desfazer; desvendar um plano ou esquema; destruir; desarmar.

Ora pois, pois, quando Marge Gunderson flagra Grimsrud / Stormare picando o corpo de Showalter / Buscemi ela desenrola o novelo, desmonta a trama, prende e leva a julgamento o psicopata, que deve ter escapado da pena de morte, pois Dakota do Norte, onde está Fargo, não a aplica.

Pois então, talvez a saga do Moro e seus sucessivos desmontes não seja realmente mais um filme de humor-negro de Joel Coen, mas tão somente revele ao mundo, e a leitores mais atentos, a incapacidade que muitas pessoas têm de consultar um bom dicionário.

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