José Serra tenta viabilizar candidatura e monta estratégia esperta

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Dos três presidenciáveis tucanos à sucessão de Dilma Rousseff – Aécio, Alckmin e Serra – o senador paulista, o “trator”, é o menos badalado.

Nem sequer aparece nas simulações “se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para presidente” das empresas de pesquisa.

Aécio ainda surfa na quase metade dos votos que obteve ano passado; faz aparições escandalosas (como no caso da Venezuela), incursões meio sem sentido pedindo o impeachment da presidente, e procura se afastar dos tresloucados “revoltados online”, que ele mesmo abastece com suas peripécias.

Apesar da crise hídrica em São Paulo, Alckmin vai bem obrigado; tem apoio de larga faixa da elite e da subelite paulistas, coisa que pode contaminar a classe média de outras unidades federativas e parte do eleitorado pobre, insatisfeito com a crise econômica.

Geraldo não aparece muito bem colocado na simulação das pesquisas (apenas em terceiro), mas nada muito assustador, pois tem pouco mais de 20% das intenções de votos, portanto dentro do perfil histórico do PSDB.

“Amigo urso”

Quem o conhece, sabe que José Serra não é amigo de ninguém, nem mesmo de Fernando Henrique Cardoso de quem foi ministro de algumas pastas, quando manteve sob sua estreita vigilância a Ciência e Tecnologia e a Saúde, e, por pouco que seja, a Educação.

E não seria a esta altura do campeonato que seria “amiguinho” de Aécio ou de Alckmin.

Se puder, passa a perna em ambos e sai pela terceira vez candidato de seu partido à Presidência da República.

Estratégia

Acossado por Aécio e por Alckmin, José Serra arma uma estratégia esperta, inteligente e no mínimo curiosa.

Aproximou-se do Governo Federal com uma alternativa mais palatável na questão da Maioridade Penal.

Na sua emenda, não derruba a Maioridade, mas amplia o tempo de internação do menor infrator.

O governo gostou da ideia e a assumiu, fazendo apenas um reparo: diminuiu o tempo de internação de sete (como propôs o senador) para dois anos. Alckmin, por exemplo, defende 10 anos.

A outra ação de José Serra diz respeito à partilha da exploração, refino e comercialização do petróleo (e derivados).

Apesar de a ala mais radical e nacionalista do petismo acusar Serra de vendilhão e entreguista, a Petrobras já vê com bons olhos a proposta serrista, e o próprio governo de Dilma já sinaliza simpatias, já que o Planalto sabe não ter caixa suficiente para tocar a exploração do pré-sal.

Caso as teses serristas – Maioridade Penal e Petróleo – venham a ser referendadas pelo Congresso (coisa que vamos ver nestas semanas próximas), o senador dá um nó nos seus adversários tucanos e se viabiliza como candidato à sucessão de Dilma.

Talvez o PT entenda que seja mais fácil surrar Serra pela terceira vez, que Aécio e Alckmin pela segunda.

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