A esquerda morreu então tratemos de enterrá-la

Crédito da foto: www.alunosonline.com.br
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Ontem, ou no máximo anteontem, um desses sites internacionais de esquerda publicou um artigo com o título “a esquerda morreu! viva a esquerda”.

Trata-se da adaptação de uma velha saudação europeia ao novo rei que sucede ao morto ou ao deposto.

A saudação fazia sentido, já que havia um novo rei.

Para a esquerda não há alternativa. Ela morreu e está bem mortinha. Então tratemos de enterrá-la.

Partamos de princípios lógicos para entender isso.

Identificam-se como de esquerda:

– anarquistas;

– socialistas;

– comunistas.

Anarquistas nunca foram de esquerda – não defendem ideias igualitárias e nem se colocam na outra extremidade dos liberais. São comunitários e celulares, negam a lei, a ordem e o Estado burgueses, o que os coloca em choque com os comunistas.

Socialistas nunca foram de esquerda – aproximam-se dos liberais na defesa da propriedade e da empresa; e dos comunistas, na defesa do Estado como gestor da sociedade.

Comunistas, os de tradição marxista (parece que são os únicos que há), estes sim são de esquerda ao se colocarem no extremo oposto dos liberais no uso do Estado como fomentador de políticas públicas.

Se os socialistas agonizam há um século, perdidos entre se definir como de direita ou de esquerda, os comunistas/marxistas começaram a morrer com a violenta repressão imposta por Stalin, na União Soviética, o que levou ao surgimento do eurocomunismo revisionista e à sua derrocada final com a falência da utopia soviética.

Aos anarquistas resta-lhes o que sempre a sociedade lhes permitiu: lançar um olhar de desesperança a um mundo que não entendem e nem são por ele entendidos.

A tese

O historiador nipo-americano, Francis Fukuyama, estava correto (embora tenha renegado a ideia anos mais tarde) ao dizer que a história havia chegado ao fim, pois a luta de classes (tese de Marx) havia terminado.

De pronto, a tese de Fukuyama continha uma imprecisão e um exagero.

A história é o que construímos no nosso dia a dia, e não seria o fim do socialismo científico soviético, ou o fim da Idade Média, ou o fim do Império Romano ou das lutas tribais que colocaria ou colocará um fim no processo histórico.

A imprecisão está em não avaliar corretamente o fim da luta de classes, e não entender que é a partir de seu fim que a humanidade está construindo um novo ciclo histórico.

Conectando Belchior

O comunismo marxista não se deu conta (provavelmente por incapacidade de análise) da enorme ruptura na utopia igualitária provocada pela repressão stalinista; preferiu refutar e demonizar as teses de Fukuyama (sem lê-las, sem estudá-las e sem compreendê-las) e não conseguiu entender o que dizia o compositor e cantor brasileiro Belchior: “é você quem ama o passado e não vê que o novo sempre vem”.

A luta é outra

Desde meados do século 20, quando eclodiram as rebeliões juvenis, rebeliões que passaram para a história como movimento hippie e as revoltas de maio de 68 em Paris, e se disseminaram, em grandes escalas, as hoje conhecidas organizações sociais (OS) – ONG, Oscip, comunidades alternativas etc. –, que a luta de classes (tal qual entendeu Marx e tal qual entende a esquerda marxista) está superada.

A luta de classes, e aí Fukuyama tem carradas de razão, entre o pobre trabalhador despossuído e o empresário bem-sucedido, não apenas não mais existe como é absolutamente desnecessária.

A luta, desde há mais de 60, é pelo domínio do fazer por si, pelo domínio das coisas e pelo auto-reconhecimento e pela independência dos grupos sociais.

Ninguém mais se interessa por lutar por um empreguinho ou por um posto numa estrutura qualquer bancada pelo Estado (dentro ou na sua periferia).

A esquerda, hoje amorfa e sem ideias, não entendeu isso ainda, e teima em demonizar empresas e o capital, para, ato contínuo, aderir, se humilhar e sucumbir a eles, como se viu nesta Grande Terra de Tupã com o lulo-petismo.

Os comunistas não entenderam Fukuyama, não entenderam Belchior e não estão entendendo o que diz o papa Francisco, o Argentino.

A esquerda está atrapalhando; já morreu, então tratemos de enterrá-la.

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