Eduardo Cunha – pressa e desinformação só farão aumentar a agonia e a revolta

inversismo.wordpress.com
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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), deve ser afastado imediatamente de seu posto e preso, certo?

ERRADO!

Quem chegou mais perto do ponto foi a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Chegou perto, mas não chegou ao ponto (inicial).

Vejamos antes o que diz Bergamo na sua coluna de hoje, antes de prosseguir:

TOLERÂNCIA ZERO
A tentativa de ocultar provas ou coagir testemunhas é uma das razões previstas em lei para a decretação de prisão preventiva de um investigado. Segundo um ministro do Supremo Tribunal Federal que se diz “impressionado” com as declarações dos delatores de que sofrem ameaças, a corte tem sido implacável em casos assim.

PORTA FECHADA
A procuradoria-geral, no entanto, dificilmente fará pedido semelhante ao STF. Uma das razões é que, ainda que as supostas ameaças pudessem ser provadas e que a corte, numa atitude extrema, admitisse a prisão de Eduardo Cunha, ela só seria efetivada se autorizada pela Câmara dos Deputados – onde o peemedebista mantém ainda grande influência.

LONGE DO FOGO
Os procuradores seguem discutindo, no entanto, a hipótese de pedir o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, como antecipou a coluna. A alegação seria a de que, no cargo, ele tem poder para tentar atrapalhar as investigações. A decisão só não foi ainda tomada porque há o temor de que o STF negue o pedido.

Delação X acusação

Cunha foi acusado por um dos delatores do Lava Jato de pedir uma propina de 5 milhões. Este e mais outro delator o acusam de fazer pressões e ameaças. E há ainda uma investigação sobre um terceiro delator que teria sido também alvo das pressões e ameaças de Cunha.

Bergamo dá boas informações quanto ao afastamento de Cunha: nos dois caminhos, que se confundem neste caso, passa-se, necessariamente, pela Câmara dos Deputados (onde Cunha diz ter uma maioria sob seu controle) e pelo STF (onde se precisa de provas mais contundentes para se tomar uma decisão pelo seu afastamento).

Segundo levantamento da Folha de São Paulo, Cunha não tem essa maioria toda que diz ter na casa. Ele fala em mais de 270 deputado, mas a FSP diz que o número mal passa de 150.

Política

A questão, portanto, vai além de delações e de números, entrando pela vereda da política.

Com boa parte opinião pública apoiando as estripulias de Cunha (a mesma opinião pública que já apoiou os salvacionistas Fernando Collor, Demóstenes Torres, Joaquim Barbosa, entre outros tantos) e com a faca nos dentes querendo derrubar a presidente Dilma Rousseff, dificilmente o PGR Janot irá tomar a iniciativa de defenestrar o presidente da casa.

É uma questão de bom senso não partir de gente ligada à Presidência da República jogar mais gasolina no incêndio.

A evolução do imbróglio, portanto, passa por um jogo pesado a ser desenvolvido nos corredores do poder. A iniciativa de retirar a presidência da Câmara de Cunha, e abrir as portas para sua possível prisão, deve partir de seus pares na Casa.

PGR, Presidência da República e STF só entram de cereja no bolo.

Mas pode se chegar a isso sim (é quase certo que se chegará), mas não sem antes, obviamente, transformar as denúncias de delatores em provas ou pelo menos em indícios consistentes dos malfeitos do nobre.

Esperteza

Cunha optou por cair atirando, e colocou em pauta os 11 pedidos de impeachment de Dilma.

Tentou ser esperto, usar o recesso branco do parlamento e pediu para os propositores do impeachment melhorarem (na prática é isso) os argumentos das propostas.

Bobagem! Isso não muda a ordem das coisas.

Cunha ainda conta com as manifestações anti Dilma, em agosto, como a última tábua de salvação para criar um clima de confronto acirrado, pressionar o Planalto e aliviar a sua barrar.

Vamos ver o que acontece, mas parece ser este o último tiro no próprio pé que Cunha dará.

Minguadinha

Falando em manifestação, a de ontem, contra Cunha, foi bastante minguadinha.

Goste-se ou não das manifestações anti Dilma, estas guardam, pelo menos, um certo ar de espontaneidade (e de muita revolta).

A de ontem, pequena, foi claramente uma manifestação de claques.

Mas (isso se os contra Dilma não enlouqueceram de vez), as manifestações de agosto podem, igualmente, ser direcionadas para o bravo presidente da Câmara dos Deputados.

E aí o que ele sentirá não será um tiro no pé, mas o impacto de um míssil.

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