Gerações mudam a percepção sobre o mundo e nem sempre para melhor

As gerações são por si só conflitivas. Filhos não se entendem com pais, que não se entendem com os seus (os avós dos filhos) e assim sucessivamente.

Isso é natural, dado os avanços tecnológicos e as críticas aos usos, aos costumes individuais e sociais, e à religião.

A questão é saber se a cada geração estamos mesmo caminhando/evoluindo numa linha mais ou menos reta, e se não deixamos valores coletivos, sociais e individuais para trás.

Um sujeito que já emplacou 65, às portas de chegar aos 66, já recolheu algumas observações bastante ilustrativas dessas percepções distintas, muitas vezes difusas, e quase sempre surpreendentes.

Por exemplo:

ÍNDIOS

Crédito da foto: www.amambainoticias.com.br
Crédito da foto: http://www.amambainoticias.com.br

Na passagem dos anos 70 para os 80, nos deparamos com um “projeto” do Mato Grosso do Sul (na época o governador era um tal de Marcelo Miranda) que visava “urbanizar” as aldeias indígenas naquele estado.

Em síntese se propunha construir casas de alvenaria, asfaltar ruas, levar água tratada e energia elétrica para as aldeias.

Entendemos isso como uma favelização dos aldeamentos, e um passo para a incorporação das áreas índias aos municípios, e a consequente perda de domínio sobre as terras (já minguadas) pelos índios.

Vinte anos, se tanto, depois me deparei com vários antropólogos que defendiam a mesma ideia. Gente de esquerda, gente de viés marxista para quem, de uma forma ou de outra, os índios deveriam se incorporar aos esforços desenvolvimentistas do país, mesmo que sob pena de perderem suas identidades culturais.

CUBA

Crédito da foto: losandesplus.blogspot.com
Crédito da foto: losandesplus.blogspot.com

Nos jogos Pan-americanos de São Paulo, em 1963, e no mundial de basquete feminino no Brasil, em 1971, torcíamos desbragadamente pelas atletas e pelos atletas cubanos/as.

Cuba era o creme do creme da época, todos adorávamos a bravura do povo cubano e o seu desprendimento em enfrentar o seu inimigo maior, que estava logo ali, a poucas milhas marítimas de distância.

Hoje, como forma de acusação, nos mandam para Cuba, para viver “naquela ditadura sanguinária”.

Aí de um de nós se, em público, sairmos em defesa do regime cubano ou se elogiarmos o seu desemprego zero, a sua excelente medicina; a ausência de subnutrição ou de fome na Ilha.

CORRUPÇÃO

Crédito da foto: revistagloborural.globo.com
Crédito da foto: revistagloborural.globo.com

Uma das lutas, para além no restabelecimento da Democracia no país, durante o regime militar de 1964 a 1985, era dar vazão aos inúmeros casos de corrupção que corriam soltos Brasil a dentro.

Queria-se não apenas combater a corrupção, como, por óbvio, dar nomes aos bois: corruptos e corruptores.

Quem dera! Estávamos em plena ditadura.

Se mudaram, de lá para cá, os atores e os palcos, mudou também a percepção, especialmente das esquerdas, quando o caso é corrupção.

Gentes que antes lutariam contra a corrupção, hoje atacam as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, de quebra, atacam o STF e a PGR, exatamente por fazerem aquilo que ansiávamos que se fizesse em tempos ditatoriais.

De igual apenas as mesmas desculpas, o mesmo lengalenga, o mesmo blábláblá: investigar é destruir o desenvolvimento brasileiro.

Investigar, prender, julgar e condenar corruptos e corruptores é destruir o desenvolvimento brasileiro?

Definitivamente as percepções mudam, mas nem sempre para melhor.

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