Saiba como identificar o mapa da atual crise brasileira

Crédito da foto: acervo.oglobo.globo.com
Crédito da foto: acervo.oglobo.globo.com

A história de que o Brasil vive a pior crise de sua história não é verdadeira.

Está certo tratar-se de uma crise econômica e política (elas quase sempre andam juntas, são uma espécie de irmãs siamesas), mas já tivemos coisas piores antes.

Apenas para citar “as do meu tempo”, ao final do regime ditatorial andávamos enfrentando uma inflação mensal de 80%, o que , às vezes, nos impedia até de tomar ônibus.

No governo Sarney a coisa apenas piorou e além da inflação alta tivemos desabastecimentos e até uma história macambúzia de entressafra de bois e de vacas.

Alguém já ouviu falar de entressafra de bebês humanos? Pois então, seria uma coisa parecida!

Há um bocado de alarmismo, um pouco de terrorismo psicológico e muito, mas muito machismo nessa história toda, sem contar, por óbvio, os interesses inconfessáveis de opositores e de certos segmentos empresariais em defenestrar a presidente Dilma Rousseff, e, no roldão das coisas, levar juntos o PT e Luiz Inácio Lula da Silva.

Elementar assim. Pode resmungar aí o quanto quiser, mas é isso mesmo.

Sério!

Que a crise é séria ninguém duvida, nem aqueles que dizem que ela não existe por conta de praias lotadas e das filas em lojas e shopping.

O argumento é tão pueril que nem me gusta comentá-lo.

A seriedade da crise está nos índices negativos da indústria, do comércio, dos serviços e da agricultura; está também na alta do dólar, no aumento da inflação; nas milhares de vagas de trabalho que foram cortadas, nas milhares de pessoas que estão em férias coletivas; nos cortes dos investimentos públicos e na paralisação das atividades terceirizadas pelo governo.

Pesquise!

Talvez nada disso seja suficiente para mudar o discurso otimista de muita gente, então a minha sugestão é aquela de sempre: saia à rua, e pesquise, observe, converse com as pessoas e pergunte.

Vão aqui dois simples exemplos (um deles já dado em outras oportunidades).

– em Itaúna (MG), a terra da minha namorada, a Helena, estava-se fechando 2 a 3 pequenos empreendimentos por semana. Falei com ela na quinta-feira, e ela reafirmou que o fecha-fecha continua no mesmo ritmo.

Dia desses acaba, por óbvio, até porque não se terá mais nada o que fechar.

Agora aplique isso em escala nacional para você ver o tamanho do problema.

– o segundo exemplo vem daqui mesmo, do Núcleo Bandeirantes, no Distrito Federal.

Esta cidadica, o berço onde nasceu Brasília, é o melhor exemplo da funcionalidade da Capital Federal.

Tem de tudo: polícia, bancos, posto de saúde, restaurantes, quiosques, lojas de ferragens, de departamento etc. e tal.

Mas é uma região de pobres, de filhos de índios, de pretos, de gente de classe média baixa.

Seus preços, historicamente, são convidativos, adaptados ao bolso de nós outros que por cá moramos.

Aliás… eram. Estão os olhos da cara.

E por que estão?

Porque ninguém quer fechar o seu negócio, o seu ganha-pão.

Após adaptar os negócios, realinhando o empreendimento à realidade atual (o que quer dizer, despedindo funcionários), o que os comerciantes e prestadores de serviços fizeram foi aumentar (majorar) os preços como forma de conter o rombo do caixa frente à queda da freguesia (demanda).

E se a crise demorar a ser debelada (o que deverá acontecer, já que o próprio governo prevê alguma reação econômica apenas para o ano que vem) o que vai acontecer será o esperado: assustada, a “freguesia” debandará de vez; sem freguesia não se tem como pagar as contas… e… o fim da história vocês certamente já adivinharam qual será.

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2 comentários sobre “Saiba como identificar o mapa da atual crise brasileira

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