PMDB está com tudo, mas falta Ulisses Guimarães

Crédito da foto: noticias.band.uol.com.br
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Meu pai foi, na juventude e no início da idade adulta, petebista/getulista. Nem umas lambadas de sabre que tomou, durante o Estado Novo (1937/1945), da polícia, nas escadarias da Galeria Prestes Maia, no centro de São Paulo, fê-lo mudar de ideia.

A mudança só veio durante a ditadura militar (1964/1985), com a criação do MDB, que era um pré-mosaico do mosaico que é hoje o PMDB.

O uso de cavalarianos com sabres em riste, para conter manifestações de rua anti-governo, se estendeu até a ditadura militar.

Estudantes paulistas, anti-ditadura (é possível que a prática tenha sido usada em outros Estados, não sei ao certo), iam às ruas com os bolsos cheios de bolinhas de gude (que em outras regiões ganham outros nomes).

Atiradas em ruas e avenidas dificultavam um bocado a movimentação dos cavalos das forças repressoras.

Meu pai tinha Ulysses Guimarães em “alta conta”. Eleito deputado federal diversas vezes, o doutor Ulisses era um fenômeno em São Paulo: tinha voto em todas as urnas do Estado.

Na primeira eleição para a Presidência da República (1989) pós-ditadura, em primeiro turno, meu pai votou em Ulisses Guimarães.

No segundo, se recusou a votar em Lula (PT). Ele detesta tanto o PT quanto o Lula.

Buchichos familiares indicam que ele tenha votado em Collor (PRN).

Ele nega, mas não acredito nele não.

Minha mãe disse não ter votado em ninguém, e, como sempre, anulado o voto. Acredito nela. Ela sempre foi uma rebelde, uma anarquista, como a maioria de seus familiares.

Minha namorada, que é mineira e já se identificou como coxinha (mas que diz estar mudando por minha causa – nunca entendi essa parte do raciocínio dela), diz ter sido educada para sempre votar no PMDB.

Na prática isso quer dizer votar contra o PT, mesmo que seja votar em Aécio Neves, coisa que ela nega ter feito.

A força fraca do PMDB

O PMDB pode muito. Elegeu vários governadores (desde a época do MDB), inúmeros deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos e vereadores, por todo o Brasil.

Manda e desmanda atualmente no governo de Dilma Rousseff, além de dominar amplamente o legislativo federal.

Uma eventual queda de Dilma não lhe seria de bom grado, pois Temer cairia junto.

Uma eventual antecipação da eleição presidencial também não lhe acrescentaria muita coisa – o PSDB e a Rede da Marina, neste momento, têm a maioria dos possíveis votos; isso sem contar com o Lula que continua forte candidato, a despeito de seu partido (o PT) estar estraçalhado.

Talvez a saída para o PMDB seja esperar pela eleição presidencial de 2018.

Mas com qual candidato?

Ulisses Guimarães já morreu há um bocado de tempo, num acidente aéreo, em 1992, no litoral sul do Rio de Janeiro, em Angra dos Reis.

O PMDB promete ter candidato próprio em 2018.

Pode até ser. Mas vai servir mais de moeda de troca do que para chegar ao Palácio do Planalto, seja que partido for que venha a herdar o posto de Dilma Rousseff.

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