O inacreditável equívoco de Dilma Rousseff no congresso da CUT

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Insuflada pela ala petista capitaneada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela malucada que povoa as redes sociais, e muito provavelmente entusiasmada pelas decisões de ontem do STF, a presidente Dilma Rousseff partiu para o ataque, ontem à noite, durante o congresso nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo.

Há até quem veja a importância de a presidente sair do âmbito (confortável) da CUT e rebimbar o seu discurso em cadeia nacional de rádio e TV.

Uma lástima!

Não sem certa fúria, a presidenta voltou a falar em golpe (paraguaio – que já lhe causou problemas com o país vizinho) e em moralidade.

Em alguma medida, a presidente reproduziu ontem, em São Paulo o que havia feito Jango, no Rio de Janeiro, no famoso Comício da Central ou Comício das Reformas, no dia 13 de março de 1964, apontado por tutti quanti como ato deflagrador do golpe militar de 1º de abril.

Não por acaso, ontem mesmo o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse ver risco de crise social no país.

– “Estamos vivendo situação extremamente difícil, crítica, uma crise de natureza política, econômica, ética muito séria e com preocupação que, se ela prosseguir, poderá se transformar numa crise social com efeitos negativos sobre a estabilidade.”

– “E aí, nesse contexto, nós nos preocupamos porque passa a nos dizer respeito diretamente.”

Oposição

A oposição (derrotada no pleito do ano passado) não ajuda muito. Pelo contrário, liderada pelo tucano Aécio Neves e por gente do calibre do demo Ronaldo Caiado, além do pemedebista Eduardo Cunha, apenas coloca mais lenha na caldeira, aproveitando-se da fragilidade da presidente.

Não menos preocupante é que nova pesquisa DataFolha indica que 61% dos brasileiros pedem a sua renúncia e 71% classificam seu governo como ruim ou péssimo.

O que se pede?

Já se pediu mais de uma vez, por aqui e por outros cantos, que a presidente viesse a público, fizesse um cara-a-cara com a população brasileira, abrisse o seu coração e muito especialmente o seu governo, e admitisse os seus erros e seus equívocos; os erros e os equívocos de seu antecessor e uma espécie de tutor (que vez por outra dá um sumidão).

O STF pode até ter dado ontem um respiro ao seu governo. Coisa que deve se estender até, quem sabe, o próximo novembro (que, aliás, está bem próximo).

Mas não resolve a questão, e nem aniquila as forças de oposição (políticas e sociais) que estão ao seu encalço.

Pelo contrário, só faz aumentar a sua agonia e estender a crise política e econômica.

Ou, por outro lado, isso, óbvio, depende do poder de mobilização dos seus opositores, pode levar milhares, quiçá, milhões de pessoas às ruas, numa retomada, quem sabe mais forte do que foi a inenarrável Marcha da Família com Deus pela Liberdade (meados de março de 64).

Levantada pelo STF, ontem, a bola está com a presidente.

Resta saber se ela terá capacidade para dominá-la, ou se o general Eduardo Villas Bôas é quem tem razão: (se) a crise (…) prosseguir poderá se transformar numa crise social com efeitos negativos sobre a estabilidade.”

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