Queda do avião russo: vem aí mais uma polêmica longa e imprevisível

Crédito: Reprodução alterada a partir do infográfico http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151030_voo_russo_sabemos_lk
Crédito: Reprodução alterada a partir do infográfico http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151030_voo_russo_sabemos_lk

Estamos “adentrando” (adentrar é um verbo horrível, mas muito usado neste Planalto Central) em mais uma polêmica, esta mundial: afinal o que houve com o Airbus A321 que estabacou-se, ou melhor, despenhou-se em terras egípcias, no último domingo, matando 224 pessoas, a maioria russos que faziam turismo?

Rússia e Egito, por óbvio, trataram logo de desmentir o Estado Islâmico que reivindica a autoria de um atentado.

A companhia aérea russa MetroJet, a dona da aeronave, tratou de jogar água gelada na fervura de russos e egípcios dizendo que a queda foi motivada por “ação externa”.

Pelo sim, pelo não a versão da Metrojet é mais verossímil:

– há partes do avião espalhadas por um raio de 20 quilômetros;

– o “acidente” ocorreu no ar, a 10 mil pés;

– dificilmente acidentes aéreos acontecem em pleno voo (embora tenham acontecidos alguns ao longo da história).

Os russos trataram, ainda no domingo, de colocar a empresa contra a parede, relevando ao mundo que havia um “problema técnico” na cauda do avião, que não teria sido resolvido.

A MetroJet rebateu de pronto e disse que o problema fora resolvido sim, e, escudada por autoridades da aviação internacional, argumenta que o tal do “problema técnico” teria provocado o acidente em terra, durante a decolagem, e não em voo de cruzeiro (como foi o caso).

As razões

A MetroJet tem lá suas razões (financeiras e morais) para empurrar o imbróglio para fora da aeronave, mesmo sem explicitar que tipo de ação externa poderia ter ocorrido: uma ave (naquela altura pouco provável), um pequeno meteoro (quem sabe?), outra aeronave (não há registro), um míssil (razoavelmente provável, embora também a altitude da aeronave e a capacidade bélica do EI não ajudem muito a hipótese).

A Rússia (que mandou suspender todos os voos de suas aeronaves na região, assim como fizeram algumas empresas aéreas internacionais) vive em conflitos permanentes com grupos radicais separatistas e/ou muçulmanos.

Complicou ainda mais a sua situação ao se meter na rebelião síria, onde, aliás, e a despeito da propaganda, não vai muito bem.

Admitir que um míssil rebelde tivesse derrubado a aeronave comercial seria uma derrota moral espetacular.

O Egito, embora não viva imerso no lodaçal em que se meteu a Rússia, também enfrenta resistências de grupos organizados rebeldes. Demais, um atentado desse porte (se tiver sido isso mesmo) levanta duas hipótese contra o país: (1) que ele não tem capacidade de controlar o próprio território e/ou (2) que é conivente com a ação dos grupos insurgentes.

O Estado Islâmico entrou meio que de gaiato na história (a se levar como correta a informação de que não tem poder de fogo para uma empreitada dessa ordem), mas vai surfando nas contradições, especialmente nas contradições russas.

De quebra, ganha mais notoriedade e poder, e ainda alavanca o carisma dos outros grupos rebeldes (islâmicos ou não).

Os EUA, que possuem interesses variados nesse imbróglio, e, muito especialmente, na região, estão quietinhos, apenas “urubservando”. É provável que alguma “auditoria independente” do país dia desses solte de público os seus pitacos (resta saber em que direção).

Enfim, nos metemos num diz—que-diz danado e de difícil desfecho.

Nessa hora, o que se chama de verdade tira férias prolongada.

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