O movimento hippie foi machista (?)

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Em tempos de revisionismo intenso dos papéis de homens e mulheres no mundo (muito especialmente no mundo Ocidental) não custa pelo menos tentar, e soltar algumas indagações e dúvidas em meio a essa barafunda.

Antes que alguém pergunte e/ou sinta falta não vou citar nenhum “trabalho acadêmico” e/ou nenhuma “pesquisa acadêmica” sobre o movimento hippie, pois tudo que li até hoje (e foi muita coisa) é bastante ruim, especialmente os trabalhos acadêmicos, especialmente aqueles feitos por gente que não viveu na época, e, portanto não entendeu o espírito da coisa.

Os trabalhos acadêmicos quase sempre são ruins mesmo, mas, enfim, se fazem, e necessitamos conviver com eles, mesmo que para criticá-los e abominá-los.

Vou apenas me reportar a algumas impressões da época, a um ou outro testemunho, e a alguns fatos.

Antes de seguir, cumpre lembrar (coisa já reportada por aqui diversas vezes) que algumas pessoas me cobram sentar a bunda na frente de um computador, pesquisar, recordar, indagar, conversar, assuntar e mandar ver uma “obra de fôlego” sobre a época.

Essas pessoas acham que, não sei bem por conta de que, tenha eu alguma coisa de relevante para dizer.

Não tenho essa certeza, e nem mesmo paciência pra isso.

Mas como o tempo passa… quem sabe.

Machismo?

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Um amigo filósofo (já o citei em outras oportunidades, portanto não o nominarei aqui neste momento) defende que o movimento hippie foi machista, quiçá misógino.

Me foi surpresa ouvir dele essa história, e fui buscar entender a razão, mas ele veio com velhos argumentos que, muito provavelmente, nós levem a Simone de Beauvoir, o que não é exatamente um bom caminho.

Mas, enfim, é o caminho dele.

Mas eu mantenho a minha toada incansável de ouvir as pessoas, tentando descobrir o que está por trás de cada discurso.

Na época, meu amigo estava se casando (pela segunda vez) com uma jovem (que, aliás, por ele fora orientanda) filha de uma “hippie brasileira”, cujos dentes estavam estragados e externava algumas carências afetivas, pois a mãe a havia abandonado (deixando-a com os avós maternos) para seguir um hippie europeu ou norte-americano, não sei ao certo.

Conheço essa história um pouquinho. Várias garotas (e garotos) que conheço passaram pelo mesmo “processo”.

Não disse isso a ele, mas me pareceu uma mera desculpa para as fragilidades da nova companheira, e a recorrência daquela velha tática que quase todos nós usamos, a de transferir para outros as nossas culpas e os nossos desleixos.

A entrevista e o uísque

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Esta parte do texto já foi citada em outros momentos, mas não custa recordá-la, até porque dá certa substância à hipótese do machismo no movimento hippie.

Uma artesã paulista concedeu uma entrevista para o extinto Jornal da Tarde (SP) – do grupo O Estado de São Paulo – isso lá por meados dos anos 70 – para dizer que estava caindo fora do movimento hippie, porque a maioria dos homens só entrava no movimento de olho numa boa trepada com o maior número de hipongas possível.

No auge do movimento do Embu (Grande São Paulo), a hipongada viu por bem criar uma beberagem chamada de “uisque-embu”, que servia mais como um preparatório para a desvirginação de jovens de classe média que viviam uma vidinha marasmenta, e buscavam nos hippies um antídoto para a pasmaceira na qual estavam submersas.

Talvez tenham ouvido rock demais e assistido a não sei quantos filmes da época.

Música e cinema são ilusões, e nos mostram uma vida de ficção inatingível no cotidiano.

E os homens?

O cinema, a música, as múltiplas reportagens da época também podem estar por detrás de uma outra distorção.

Os hippies são mostrados como homens cabeludos, sujos e selvagens.

Sempre prontos a beijar uma boca feminina, e dela tirar a roupa.

As mulheres quase sempre são retratadas como apetrechos de homens, quando não como pastoras a ficar nos acampamentos cuidando da prole e da horta, enquanto a macharada sai pelas estradas buscando aventuras em caronas ou em motos.

Boa parte das letras das músicas falam dos choques e entrechoques dos filhos (os machos) com mães, tias e até irmãs.

São os machos os lobos insubmissos a se atritar com as fêmeas (familiares) e por extensão com as suas companheiras (subjugadas) de jornada.

Nesse açodamento analítico não se leva em consideração que parte das “tendências inclusivas” atuais – entre elas o feminismo – estava implícita no movimento hippie, assim como o ambientalismo e a insubmissão aos sistemas políticos.

Enfim, é uma história longa, que precisa ser revisitada.

Talvez eu faça isso, se conseguir vencer a minha preguiça.

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