Paris, 13: Obama diz que “ataque (é) contra toda a humanidade”

Rua tomada por policiais e equipes médicas após atentado contra a sede da revista Charlie Hebdo (crédito Diário de Pernambuco)
Rua tomada por policiais e equipes médicas após atentado contra a sede da revista Charlie Hebdo
(crédito Diário de Pernambuco)

Será?

Bem… essa é uma questão que não dá para ser respondida neste texto, e nem em qualquer outro.

É bem provável que os “atentados contra o mundo Ocidental” venham, no futuro, a ter o mesmo destaque das batalhas do Império Romano contra os “bárbaros”.

Não foram os bárbaros que destruíram Roma, mas o enriquecimento de suas gentes (que se tornaram arrogantes, desumanas, sedentárias e preguiçosas) e a corrupção.

Acompanhávamos com muito interesse a Guerra do Vietnam (afinal, todos nós sabíamos que aquela guerra iria mudar a correlação de forças do mundo, como de fato mudou).

Alguns documentários da época nos traziam detalhes interessantes que nos permitiam prever que os EUA seriam derrotados pelos vietcongues.

Um deles mostrava jovenzinhas camponesas (12/13 anos ou menos ainda) brincando alegres perto de tropas norte-americanas.

Num dado momento todas elas desapareciam e minutos depois as suas “esquecidas” cestas de flores e de frutos explodiam, menos matando e mais destroçando o moral dos soldados.

Outro, mostrava vietcongues no interior de túneis à espera de passar soldados norte-americanos que iriam, irremediavelmente, ser atacados e mortos.

Os túneis (que outro dia foram objeto de matéria na imprensa ocidental) permitiam que os vietcongues se tornassem invisíveis aos norte-americanos, que, por seu lado, eram identificados menos pela falação ou pelo jeito de andar, mas muito mais pelo pitchu, piché.

Pitchu é o cheiro que nosso corpo exala em razão da alimentação que ingerimos.

Os EUA descobriram tardiamente a expertise vietcongue, mas a descoberta serviu para alterar a alimentação da soldadesca que no futuro se envolveu em “outras guerras”, especialmente naquelas em que tinha de enfrentar “guerrilheiros”.

Novo mundo (1)

Se o mundo Ocidental nunca venceu (de verdade) a maioria das guerras de ocupação contra guerrilheiros locais, os novos guerrilheiros (nem todos islâmicos, contrariando o que dizem a mística e o senso comum) transportaram a guerrilha para o campo do inimigo, tendo como linha (inicial) de tempo os atentados em Nova York, no 11 de setembro de 2001.

Não se iludam acreditando que a tecnologia bélica e a espionagem ocidentais vão dar cabo às ações “terroristas” que não darão. Nem agora, nem amanhã, nem nas próximas décadas, quiçá, séculos.

Os atentados à França de ontem dão uma boa mostra da mecânica desses grupos.

Nos últimos cinco anos cerca de dois mil franceses deixaram o país para treinar e se alinhar aos grupos jihadistas.

Cerca de 500 deles já retornaram à França e é provável que todos os atores dos atentados de ontem estejam entre eles (vamos esperar o que vai nos dizer a investigação).

Não se tem como frear isso, assim como não se tem como rastrear os recursos que sustentam esses grupos.

Já se disse por aqui, em mais de uma oportunidade, que essa gente não usa os caminhos financeiros usados pelos ocidentais.

Novo mundo (2)

Há quem diga que uma eventual supremacia dos grupos insurgentes sobre o Ocidente levaria todo o mundo de volta à barbárie.

Eu não teria toda essa certeza não.

O que está claro, é que se está desenhando um novo mundo, muito mais impactante que o mundo redesenhado no pós-Guerra do Vietnam, e tão impactante quanto a demolição do Império Romano.

Se estaremos todos vivos para ver esse novo mundo, aí já é outra história, mas que o novo mundo vem aí, isso vem.

E vem tecnológico e vem estabelecer uma nova correlação de forças no mundo, para o bem e para o mal.

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