Energia Eólica: governo precisa alinhar discurso à vida real

AenergiaApesar do discurso governamental, o Brasil é apenas o 10º produtor de energia eólica (crédito da foto: energiainteligenteufjf.com) do mundo. Está certo que avançou um bocado este ano que passou, saltando para uma produção de 12,2 terawatt/hora (TWh). Com os investimentos deste ano (2015) é provável que o país chegue ao 7º lugar.

Embora isso não seja uma competição, são números que ajudam no discurso (um pouco malandro) do governo e servem para os militantes do partido da presidente entulhar as redes sociais de caminhões de bobagens alvissareiras e altissonantes.

Estoque de bobagens

A enorme bobagem que a presidente Dilma Rousseff disse, há algumas semanas, sobre tecnologia para estocagem de vento foi, em parte, amenizada pela pitacaria geral de leigos e “gente especializada”.

É certo que existam e existiram pesquisas que apontam para esse caminho, muitas delas já abandonadas por serem inexequíveis (especialmente por conta dos custos).

Transformar o vento (ar) em gelo e armazená-lo e despois congelá-lo para aí sim gerar “novos ventos” para movimentar as turbinas das usinas é de uma logística surpreendentemente estúpida para nós, seres humanos, que nos temos como inteligentes.

Que ainda existam pesquisadores e centros de C&T que teimem em “pesquisar a matéria” isso é autoexplicativo, pois são as pesquisas as grandes alavancadoras de dinheiro público do qual vive essa gente.

Muitos pesquisadores (é provável) passarão a vida toda nesse “dolce far niente” para não encontrar, ao final, “nada, nada, nada do que eu pensava encontrar”.

Um governo responsável investiria em energia solar, via painéis, e ainda em um programa de financiamento para que cada um de nós gerássemos a nossa própria energia e pudéssemos vender o excedente para outros usos.

O restante é papo furado.

Problemas

Quem conhece (mesmo não sendo especialista na matéria) os poucos parques eólicos brasileiros já deve ter percebido que aqueles monstrengos mais se parecem com os moinhos de ventos de Cervantes, com torres e mais torres paradas por razões diversas.

Desperdício de dinheiro público que apenas satisfaz as empresas que montam e dão manutenção àquelas geringonças.

A despeito do discurso governamental, o Brasil não produz nadica de nada (máquinas e equipamentos) daquilo que se relaciona com a energia eólica.

Pagamos, isso sim, os tubos da cara em licenças para empresas do exterior, especialmente da Alemanha, já que as precárias “empresas brasileiras do setor” simplesmente não possuem tecnologia e nem investem em pesquisa.

São meras montadoras tanto quanto são montadoras as “nossas fábricas de automóveis”, por exemplo.

Há uma outra questão grave nessa história toda.

O governo não “se lembrou” de que para distribuir a energia são necessárias linhas de transmissão.

Linhas que não existem.

Agrave-se o problema com o fato de que os parques eólicos instalados no litoral do Nordeste fizeram saltar o preço da terra (especulação) nas áreas escolhidas, o que , naturalmente, favorece os detentores da terra, e provoca a expulsão daquela gente pobre que habita o seu entorno.

Aliás, caso parecido está ocorrendo com a tal “transposição do rio São Francisco”, obra megalômana governamental que não possui um sistema de distribuição de água, o que, por óbvio, facilita a vida dos proprietários de terra (os ricos), enquanto essa gente pobre é obrigada a jogar latinhas amarradas em cordas (numa altura média de 6 metros) para pegar um pouco do tal “líquido precioso” para uso próprio.

No mais, acrescente-se que parques eólicos não cabem em qualquer região exatamente pelo “paradão” da natureza na maior parte do ano.

De eficácia questionável, portanto, os parques eólicos brasileiros, assim como a transposição do rio São Francisco, parecem mais dar estofo à propaganda do governo e do partido da presidente, tendo como foco o enorme contingente de eleitores nordestinos, que até outro dia sustentavam a votação nacional do partido.

Sustentavam, pois (pelo menos parece neste momento) não sustentam mais.

O discurso equivocado do governo, como se vê, dia a dia vai sendo destruindo por aquilo que chamamos de “vida real”.

Leia também:

“Brasil é o 10º maior gerador de energia eólica do mundo”

[Os investimentos feitos em energia eólica nos últimos anos fizeram o Brasil conquistar em 2014 a 10ª posição no ranking mundial de geração da fonte, subindo cinco posições em relação a 2013 . O País conseguiu no ano passado gerar 12,2 terawatt/hora (TWh) de energia eólica. A expectativa do governo é que o forte aumento na geração em 2015 eleve o Brasil à 7ª posição.

Os dados são do “Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia (anos 2012/13/14)”, publicação anual da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) do Ministério de Minas e Energia (MME). Ao final de 2014, o Brasil ocupava o 3º lugar no ranking de expansão de geração eólica, com 5,6 TWh de expansão, perdendo apenas para a China (17,2 TWh de expansão) e para os Estados Unidos (14,1 TWh de expansão), e na frente da Alemanha (4,3 TWh) e Índia (3,6 TWh).

Com relação ao volume de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia, o Brasil se mantem na quarta posição, com 121 milhões em tonelada equivalente de petróleo (tep). Isso representa 6,6% das fontes renováveis do mundo em 2013. O País fica atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos. Considerando os 65 países com Produto Interno Bruto (PIB) per capita igual ou superior ao brasileiro, apenas a Islândia, Gabão e Uruguai, todos com menos de 4 milhões de habitantes, superam o indicador do Brasil de 40,8% de renováveis na matriz energética em 2013.

Quanto aos biocombustíveis utilizados no País, a produção de biodiesel ocupa o terceiro lugar no ranking. O forte aumento na produção de 2015 poderá levar o Brasil à 2ª posição, superando a Alemanha. Já na geração hidráulica de 2014, o País ocupa a terceira posição, com geração de 373 TWh.  A China está na primeira posição com 1.064 TWh e o Canadá na segunda, com 379 TWh.]

Agência Gestão CT&I, com informações do MME.

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