Terrorismo vai atacar nas olimpíadas ano que vem (?)

A bandeiraTudo é possível, até aquilo que parece ser impossível.

É possível, por exemplo, que um meteorito caia na sua cabeça assim que você termine de ler este texto.

A mesma paranoia que cercou o mundial de futebol ano passado volta a acercar-se dos jogos olímpicos do ano que vem.

E aí é justo reconhecer, sim, que parcela dessa paranoia (se não a sua totalidade) deve ser debitada na conta da imprensa brasileira, especialmente na dos colunistas niilistas da Folha de São Paulo, como se vê no artigo de ontem de Igor Gielow.

A menos que Gielow seja uma espécie de Príncipe Míchkin, de O Idiota (Fiódor Dostoiévski), é bem provável que ele saiba da irresponsabilidade desse tipo de texto, e, mais ainda, que o que escreveu serve para a disseminação de outras idiotices, dos senhores e das senhoras internautas, que se espraiam como rastilho de pólvora nas redes sociais e nos encontros sociais e familiares.

As verdades

Essa certeza de que o Brasil (tanto no mundial de futebol, como nas olimpíadas do Rio de Janeiro) pode ser alvo de “atentados terroristas” se assenta em algumas “verdades absolutas”:

– o Brasil não tem condições de coibir qualquer ação terrorista em seu território;

– o controle da entrada de estrangeiros em terras brasileiras é precário;

– por aqui circulam pessoas de diferentes origens, sem que o governo sequer dê conta disso.

Embora os fatos costumem desmentir as especulações, o certo é que o “alerta terrorista” já foi dado, como, aliás, foi dado nos meses que antecederam ao mundial do ano passado.

De objetivo mesmo, ano passado, não aconteceu absolutamente nada de excepcional, tirando, por óbvio, os 7 a 1 da Alemanha sobre no Brasil, em Belo Horizonte.

Isso sim pode ser encarado como um enorme atentado à nossa história e ao nosso ego.

Mas culpa, convenhamos, não cabe aos “terroristas alemães” (aliás muito benevolentes, porque o resultado final poderia ser maior ainda), mas sim às pobres vítimas brasileiras.

A paranoia

Uma das jovens supostamente envolvida com os atentados de Paris, 13 passou rapidamente pelo Brasil semanas antes, assim como passou por Colômbia e Venezuela.

A garota está sendo monitorada, há tempos, por forças de segurança da Europa por suposto envolvimento com o Estado Islâmico.

Seria motivo suficiente para que o Brasil não permitisse sua entrada em território nacional, e, em caso de ela conseguir por aqui chegar, seria razão suficiente para que as autoridades brasileiras a detivessem e a interrogassem?

As únicas questões que cabem aqui são: a) se ela não está detida e não está sendo interrogada na Europa, por que isso ocorreria no Brasil?; b) se ela tem passaporte e pode dispor de sua liberdade para viajar para onde quiser, por que o Brasil a impediria de aqui chegar?.

Tal como fez Gielow, não são poucos aqueles que se reportam à Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) onde estariam (supostamente) centenas, quiçá milhares, de pessoas de “origem árabe”, potencialmente perigosas, tendentes a se alinhar a grupos terroristas islâmicos ou pelo menos a financiá-los.

Bem… essa paranoia tem origem nos EUA, que, preocupado com o “terrorismo internacional”, escolheu esta região da América do Sul (pela forte presença de árabes) como alvo de suas investigações, como se pode ver nesta matéria da revista Veja.

Na real

De objetivo há um histórico de convivência razoavelmente pacífica entre os estrangeiros que por aqui habilitam, assim como entre esses estrangeiros e a população nacional.

Ressalve-se, no entanto, algumas indisposições, ao longo da história, com os invasores franceses e holandeses, e mais recente contra os haitianos e outras gentes da América Latina, muito especialmente colombianos e bolivianos (em SP).

No mais, o que se vê por aqui (há século) é uma quase congratulação entre “árabes” e judeus (por exemplo), muitas vezes ocupando os mesmos espaços em cidades (Rio, São Paulo, Salvador, Recife etc.) sem que nada de mais grave aconteça entre eles, a não ser alguns entreveros por questões comerciais e sexuais.

As razões terroristas

Há não muito, a presidente Dilma disse ser preciso dialogar com o Estado Islâmico, como uma forma (entende ela) de se por fim às ações violentas do grupo.

No pós-atentado de Paris, 13, a presidente brasileira voltou a falar sobre o assunto, pedindo uma ação mais efetiva do “mundo civilizado” contra o grupo insurgente.

Como era de se esperar (por questões ideológicas e/ou partidárias) a presidente foi alvo de uma saraivada de críticas e recriminações, tanto por parte da imprensa brasileira, como também nas redes sociais.

Como lembrou um internauta:

– se chove e sua cidade é alagada, a culpa é da presidente, cujo governo não tem um plano eficiente de combate às catástrofes naturais;

– se estia fortemente (como este ano), a culpa é da presidente que faz vistas grossas ao avanço do agronegócio no campo, o que destrói a natureza e impacta no clima do país.

Em resumo, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Um dos trechos mais ironizados da fala presidencial foi a referência à distância que separa o norte da África do Brasil.

No entanto, trata-se de um bom argumento da presidente.

O que levaria um grupo terrorista a atravessar o Atlântico para vir por aqui dar uns tiricos e soltar umas bombinhas?

Para se contrapor à presidente, Gielow se lembrou do atentado das olimpíadas de Munique (Alemanha), em 1972.

Esqueceu-se apenas (embora tenha tentado) de contextualizar melhor “a coisa”, já que o atentado envolveu palestinos e israelenses/judeus (que vivem em pendengas há décadas), e mais, o atentado ocorreu em um país europeu, bastante mais próximo da Palestina que o Brasil do norte da África.

Mas as questões maiores nem são essas.

O Brasil tem, por acaso, um histórico de invasão militar de Síria, Líbano, Irã, Iraque, Afeganistão etc. e tal? NÃO!

O Brasil ao menos dá apoio logístico às forças militares ocidentais que atuam contra “os grupos terroristas”? NÃO!

O Brasil vedou suas fronteiras à entrada dessas gentes árabes, persas etc. e tal em algum momento de sua história? NÃO!

Entonces, por quais cargas d’água “terroristas árabes e/ou muçulmanos” atacariam um evento esportivo (longe de casas), se indispondo com um país que não lhes é hostil?

Para abrir uma nova frente de indisposição e de repúdio?

Para aparecer na mídia como fodões que fazem e acontecem onde lhes dê na veneta?

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