TERRORISMO: é preciso tomar cuidado com a informação unívoca e unilateral

Burca 03Que o Isis ou Daesh não seja coisa para se admirar e se aceitar vá lá que concordemos (a maioria) em gênero, número e grau.

Já a intensa campanha iniciada semana passada pelos principais meios de comunicação europeus é para nos deixar preocupados.

Não vamos nos esquecer do Afeganistão sob domínio dos talibãs (heróis ocidentais por terem enfrentado e derrotado os atrapalhados russos/soviéticos décadas antes).

A mesma campanha difamatória (e isso é difamação mesmo, não existe um nome mais ameno) que se fez no logo após os atentados de 2001, nos EUA, se repete agora com o Daesh, incrustrado na Síria.

Que os talibãs destruíram símbolos ocidentais e de outras culturas, praticaram atentados, mataram gente inocente e oprimiram populações pobres (assim como o Daesh na Síria) é sabido e divulgado.

As intenções em transformar essa gente em demônios 100%, como se demônios existissem e, se existissem, fossem plenos e totais, isso já se insere na estratégia de convencer a opinião pública (mundial) ser necessário capturar, torturar, condenar e matar até o último jihadista para que o mundo (ocidental, capitalista e cristão) viva feliz para sempre.

Happy end!

Burca

O problema começa exatamente por aí: pela ideia de um final feliz.

Parece que Afeganistão e Iraque são provas vivas de que uma coisa não necessariamente leva à outra.

Muito pelo contrário.

Não nos custa lembrar que esse tipo de campanha tem um norte preferencial apavorante para os bem-pensantes ocidentais: a mulher.

Por aquelas bandas, tomadas por hordas de fanáticos terroristas, surge um machismo sem sexismo, o que, convenhamos, é uma raridade surpreendente.

Mulheres não podem isso, não podem aquilo, não podem estudar e sequer sair às ruas desacompanhadas de um macho adulto.

A história (contada pelos ocidentais) se repete. A opinião pública aceita qualquer coisa, posto não ter opinião própria.

Quem ler Neve, de Ohran Pamuk (já citei essa obra em outros textos) vai ter uma surpresa desagradável, apesar dos esforços do autor em culpar o islamismo mais radical pela onda de suicídio de jovens mulheres no interior turco.

Como se disse anteriormente, apesar do esforço de Pamuk, o que transparece é que a onda de suicídio é mais culpa da Comunidade Europeia que dos muçulmanos, já que entre a série de exigências para que a Turquia fizesse parte da CE uma delas vedava o direito de as jovens muçulmanas frequentarem escolas com suas roupas tradicionais.

A história é banal e irrelevante?

Não é não!

Bruca 02Sem poder usar suas roupas tradicionais, as jovens se viram entre a cruz e a espada: romper com a tradição religiosa (o que quer dizer, com a família e com a comunidade) ou abrir mão de ir à escola, com isso quebrando o único elo que as ligava a um mundo mais desenvolvido e menos opressivo.

Sem saída, muitas preferiram o suicídio.

Não nos esqueçamos ainda que pelo menos um repórter europeu conseguiu furar o boqueio imposto pelos talibãs no Afeganistão para descobrir, boquiaberto, que o uso (obrigatório) da burca estava muito mais relacionado aos costumes tribais/culturais/religiosos da região do que com a exigência talibã, e que a restrição à ida de mulheres à escola não era tão restrito assim, apenas diferia da forma como as nossas jovens ocidentais vão às aulas.

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