CRISE & DESDOBRAMENTOS: estratégias mal construídas resultam em tragédias

Louco
inversismo.wordpress.com

Num país que ainda patina nas franjas da modernidade e do capitalismo é possível, sempre, chegar-se a impasses absurdos como se viu ontem à noite, em Brasília, impasse, no entanto, que já estava sendo cantado em prosa e verso há meses.

[“Em meio aos novos desdobramentos da crise política no Brasil, o jornal britânico Financial Times definiu a capital federal, Brasília, como uma “versão tropical dos Jogos Vorazes”, em alusão à série de filmes homônima em que os personagens lutam por sobrevivência.”]

Veja o texto completo e os links que seguem abaixo, até final da postagem.

Na versão tropicalizada, tudo virou um salve-se quem puder, um vale-tudo. Sem direito a luz no fim do túnel.

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“’Brasília se tornou versão tropical de Jogos Vorazes’, diz ‘FT’”

[Segundo o jornalista e editor de América Latina do diário, Jean Paul Rathbone, que assina o artigo, publicado na versão eletrônica do diário, os políticos brasileiros “estão agora mais preocupados em salvar as suas próprias peles do que lidar com uma preocupação mais premente: a economia”, escreveu ele.

Na terça-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a soma dos bens e serviços produzidos pelo país, recuou 1,7% no terceiro trimestre de 2015, o pior para o período desde o início da série histórica, em 1996. Como o resultado, a economia brasileira permanece em recessão (quando há dois trimestres consecutivos de queda).

Rathbone citou “razões políticas” para a abertura do processo de impeachment contra Dilma, diante da escalada de tensão entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

“A razão imediata para o possível impeachment é a acusação de que seu governo maquiou as contas públicas (as chamadas “pedaladas fiscais”) – um assunto técnico. Mas a razão para que o processo do impeachment tenha sido lançado agora é puramente política”, escreve Rathbone.

“Hábil operador dos bastidores, Cunha esperava que o governo do PT apoiasse sua causa e o protegeria. Quando esse apoio não veio, ele iniciou o processo de impeachment. A oposição, farejando sangue, aderiu ao pleito”, acrescenta.

‘Ainda pode piorar’

Em meio à crise política e econômica, o jornalista destacou também que a situação do Brasil “ainda pode piorar”.

“A economia está sofrendo sua pior recessão desde 1930. O Congresso está fortemente afetado pela chamada operação Lava Jato que investiga o escândalo de corrupção na Petrobras ─ e um senador (Delcídio Amaral) foi preso na semana passada. E agora foram abertos os procedimentos para dar início ao impeachment da presidente, Dilma Rousseff. Pode ficar pior? A resposta curta é: sim”.

Segundo Rathbone, contudo, o “fim de Dilma” não é “iminente”.

“O processo de impeachment é longo, sinuoso e altamente legalista; é pouco provável que ele comece devidamente antes de fevereiro. Enquanto isso, Cunha pode perder seu cargo – nesse caso o processo pode ser interrompido. Além disso, mais políticos podem cair devido a acusações de corrupção. Isso pode mudar o equilíbrio de votos e o poder no Congresso de maneiras incontáveis”.

O jornalista britânico também diz acreditar que a operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvio de verbas na Petrobras, deve gerar benefícios a longo prazo para o Brasil.

“O destemor com que figuras anteriormente intocáveis foram sabatinadas ou mesmo derrubadas por juízes independentes é notável. Certamente, trata-se de um esboço que contrasta com a forma como a corrupção é enfrentada em outros países do Bric”.

“A longo prazo, isso vai melhorar a governança no Brasil ─ uma coisa boa. No curto prazo, porém, os custos são imensos”.]

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Link para a matéria no original: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151203_press_review_ft_dilma_impeachment_lgb

Outras questões pertinentes

Sumido – Luiz Inácio Lula da Silva deu um sumidão. No momento em que a catástrofe se agigantava ele estava “parlamentando” no Acre, bem longe das escaramuças planaltinas.

Sem-terra – João Pedro Stedile voltou ontem a ameaçar colocar o seu exército de sem terras nas ruas para defender Dilma e enfrentar aquilo que chama de “golpe”.

É difícil entender como ele faria isso, com o MST todo rachado, principalmente depois de sua adesão incondicional ao lulo-petismo.

O que ele está fazendo é jogar uma boa história de luta e resistência fora, e apenas desfiando uma série de bravatas.

Militância – Assim como Stedile, militantes do Partido dos Trabalhadores prometem sair (e incendiar) às ruas com os mesmos argumentos do líder sem-terra.

E não saíram até agora por conta de quê, é a pergunta que fica.

Sem tino – 15 minutos antes de anúncio de Cunha, uma militante/funcionária do gabinete do senador Sibá Machado (PT) postava no Facebook que o presidente da Câmara quedava derrotado, Dilma e o PT haviam vencido (sic) e o risco do que ela (e outros) chama de golpe estava definitivamente afastado.

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