Derrota do chavismo apenas mantém a rota iniciada pela Argentina

Maduro Atira

A derrota espetacular do PSUV, ontem, na Venezuela, confirma o esgotamento do modelo implantado desde o início do milênio em alguns países latino-americanos.

O que se iniciou recentemente pela Argentina parece ser um efeito dominó que indica uma retomada do neoliberalismo no subcontinente.

Tornando à Venezuela: o PSUV fica com 46 cadeiras, a oposição (MUD) fica com 99 e o restante das 167 com aquele grupo que é sempre permeável aos acordos e conchavos, ora tendendo para um lado, ora para outro.

Com Nicolás Maduro ainda no poder, é sempre possível imaginar que ele possa, de uma forma ou de outra, dominar os “independentes” e terminar seu mandato com menos atropelos.

Mas uma oposição desse tamanho e aguerrida (e igualmente violenta) será certamente um tormento para o herdeiro de Hugo Chaves.

O discurso

A (ainda suposta) derrocada dos modelos de esquerda inclusivos merece toda sorte de análise, mas no geral se aponta para a economia como a razão primária.

Isso é papo para doutos economistas e sisudos políticos.

Por este espaço interessa-se, como sempre, pelas imagens que se formam a partir e em torno dos discursos políticos e ideológicos.

Por esse prisma, tanto Maduro como os demais estão “mal na fita” como se diz no vulgar.

A foto

Ainda quando Hugo Chaves estava no poder, tinha eu uma amiga venezuelana, antichavista até a medula, que vivia de postar em seu perfil no Facebook toda sorte de degenerências, numa das campanhas mais sórdidas que vi em toda minha vida.

Em uma das fotos, Nicolás Maduro aparecia em cima de um viaduto, sem camisa, “atirando contra uma multidão” que não aparecia na imagem.

Cheguei a questioná-la sobre a veracidade da imagem. Ela irritou-se, como era de se esperar, me xingou e me deletou de seu grupo de amigos faicebuquianos.

A fotomontagem acima mostra mais uma vez Maduro de arma em punho atirando contra alguém ou contra algum grupo de pessoas, que, supostamente, protestavam contra o governo de Hugo Chaves.

Garantem, os divulgadores da imagem, que se trata de coisa autêntica, sem retoques, mas prefiro manter o ceticismo.

Não se está por aqui tentando fazer uma defesa de Nicolás, de resto pouco competente, um bocado bravateiro e algo violento e autoritário.

A queda

A questão venezuelana, como de resto na América Latina “esquerdizada”, está exatamente na população, e mais precisamente na população jovem que não se vê representada e incluída pelos partidos políticos tradicionais e por modelos de administração pública, que ora tendem à direita, ora tendem à esquerda.

É isso que se buscou discutir no texto de ontem neste afalairehttps://afalaire.wordpress.com/2015/12/06/o-gigante-acordou-e-exige-mais-espaco-e-menos-demagogia/ – : “é preciso olhar para ele (o grupo de pessoas jovens) com menos temor, com mais carinho, e oferecer alternativas mais confiáveis e discursos menos demagógicos”.

A piorra

Há quem não veja a hora, como o lépido e sempre pronto Leonardo Sakamoto, blogueiro, jornalista e cientista social, além de militante de direitos humanos, de esses jovens chegarem ao poder.

Opa! Parece que há um erro de concepção em tão airosa frase, quando não uma miopia social.

Esses jovens revoltos (aqui e alhures) não parecem estar querendo “chegar” a poder algum, mas, muito pelo contrário, desossar os sistemas carcomidos que estão postos desde o século 17, e que já não atendem mais “aos anseios da juventude” que está aí, assim como das gerações que as sucederão.

O erro

Se erro há (e são muitos) ele se espelha na incapacidade dos governos ditos de esquerda de entender o que Belchior já cantava: “mas é você que ama o passado é que não vê que o novo sempre vem”.

Ou se entende isso ou se larga o osso, antes que todos sejam desossados.

E aí não tem mais retorno.

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