O Brasil acabou ou o que acabou foi a filosofia ?

Filo 02

Não gosto muito dos pessimistas, mas, como de resto, leio e ouço todos eles.

Especialmente quando eles têm alguma coisa de relevante para dizer, como é o caso de Wladimir Safatle, o chileno-goiano-candango-paulista, professor livre-docente do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

Se as análises e as informações são boas (leia aqui: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/12/1717437-o-estado-oligarquico-de-direito.shtml) as conclusões (pessimistas) quase sempre são péssimas, quando não catastróficas.

Meses antes de sua morte, o escritor português José Saramago disse que deveríamos voltar a ler os filósofos.

Eu os leio (embora não possa dizer que tenha lido todos e toda obra de cada um, o que seria uma enorme mentira) mas não gosto nada, nada do que leio.

Não gosto nem dos pessimistas e muito menos dos hedonistas.

E parece que o hedonismo pegou de vez a alma dos filósofos contemporâneos; isso se filósofo tem alma.

Pessimista e hedonista (na minha simploriedade) é tudo a mesma coisa: não veem saída para nada; acham que o presente e o futuro (assim como o passado) são atalhos sem saída, cheios de bifurcações incompreensíveis e violentas; e que o fim é o fim de tudo mesmo, e que não há sentido em se viver.

Prefiro as religiões, embora não seja religioso e não professe nenhuma delas.

A evolução

Há coisa de duas semanas, o também professor de filosofia, Luiz Felipe Pondé, dizia, em sua coluna semanal na Folha de São Paulo (às segundas-feiras) que a humanidade somente evoluiu (ele se diz darwinista) graças aos covardes (textuais, dele).

Disse mais: que os “valentes” são mentirosos, cascateiros.

Há que se deduzir de seu texto que somos todos covardes, divididos entre covardes sinceros e covardes mentirosos.

Hedonismo puro.

Fica difícil de entender (seguindo o seu raciocínio) como o ser humano espraiou-se por toda Terra, partindo de um lago no meio da África subsaariana.

É preciso um bocado de coragem para uma empleitada (essa forma é de uso corrente na Amazônia) dessa natureza e magnitude.

Talvez covarde Pondé se sinta constrangido de sê-lo.

O sebastianismo

O texto de Pondé lembra uma capa de LP de Caetano Veloso (creio que “Menino do Rio”), na qual o mano Caetano aparece apoiado nos cotovelos olhando para o mar, esperando que alguma coisa saia dele para nos salvar de nossa insignificância e perplexidade.

Talvez esperasse que dom Sebastião voltasse de Alcácer-Quibir.

O sebastianismo é pedra de toque da religiosidade nordestina (Caetano e Pondé são nordestinos, aliás, baianos), se não da cultura nordestina como um todo, se me é permitido fazer esta generalização, e nordestinas e nordestinos não irão ficar um bocado bravos comigo.

Aqui, hedonismo e sebastianismo mantêm um cordão umbilical a uni-los, separando-os apenas a esperança por um porvir que nunca chega; assim como o caos hedonista.

O fim

Filo 01

O final do texto de Safatle, citado logo no início, é soberbo: “podemos nos preparar para a guerra (ele esta falando do pós-impeachment da presidente Dilma Rousseff) ou agir de forma a parar de vez com este romance ruim”.

O professor livre-docente faz algumas concessões ao não-caos, não apenas neste finalzinho, como igualmente ao citar as rebeliões juvenis escolares de São Paulo.

É justo lembrar que Safatle louvou enormemente as manifestações de junho de 2013 (aquela dos 0,20 centavos de reais), mesmo quando elas escaparam das mãos dos organizadores, e foram contaminadas por grupos organizados e violentos e por gente que passou a bater panelas contra o governo petista.

Isso, aliás, lhe valeu vários torceres de narizes da chamada esquerda.

Ao que parece, o novo tempo antevisto por Safatle em 2013 ainda não chegou, e o que temos é uma espécie de repeteco com as ocupações das escolas paulistas.

Se o novo tempo ainda não chegou, o caos prognosticado e antevisto parece estar um bocado distante, se é que vamos um dia chegar a ele.

Talvez os filósofos contemporâneos devessem dar um pause, guardar os livros, pegar uma mochila e botar o pé na estrada.

Nada , nada eles vão perder um bocado de peso ou, quem sabe, aprender alguma coisa.

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