Assinar manifesto vai salvar Dilma Rousseff do impeachment (?)

EhaDilma
Crédito da foto: agencia2.jornaltijucas.com.br

As redes sociais, os blogues (in)dependentes, os sites de esquerda estão coalhados de manifestos contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Todo dizem, uníssonos, que se trata de golpe.

São artistas, intelectuais, advogados, antropólogos, sociólogos, comunicólogos, ledores de mãos, jogadores de cartas e de runas, pais-de-santo e mais uma porção de gente.

Esse é um repeteco da ditadura militar quando, diariamente, éramos confrontados por listas-manifestos contra o regime de exceção e a favor (muito justo) de alguém que estivesse preso ou desaparecido, graças à violência dos ditadores.

Um dos mais assíduos assinadores de manifestos era Francisco Buarque de Holanda – esse mesmo.

Ele estava em todas como parece estar agora.

É uma posição, sem dúvida. Como diz um sujeito que conheço, Chico tem lado, embora eu ache que quem tem lado é moeda.

Chico é gente de boa cepa, e por isso acabou não sofrendo um arranhão sequer dos ditadores.

Pior para Gil e Caetano que embora já famosos ainda eram pobres, não vinham de famílias notáveis e por maior dos pecados eram nordestinos.

Dê uma olhadinha aqui https://letras.mus.br/caetano-veloso/44780/ e https://letras.mus.br/gilberto-gil/16138/.

Pior sorte teve João do Vale – Carcará – Lá no sertão/ É um bicho que avoa que nem avião / É um pássaro malvado / Tem o bico volteado que nem gavião – maranhense, de São Luís, que depois de levar umas porradas da repressão teve de, parcialmente, abandonar sua carreira no Rio e se enfurnar no interior do Nordeste para se preservar da justa. Era pobre e preto.

Funciona?

Não que outras culturas, outros países, outras gentes não tenham a prática de assinar manifestos, mas ela é mais intensa nos países de cultura latina.

Outras gentes parecem mais gostar de sair às ruas e de enfrentar governos e organizações empresariais poderosas para buscar colocar um fim no desconforto, na insatisfação e na injustiça.

Vá que por aqui, e pela Argentina, pelo México, até mesmo pela França e Itália, também se saia às ruas para protestar e reivindicar.

Mas aparenta ser a prática do bacharelesco manifesto a nossa forma preferida de querer dizer alguma coisa, especialmente no Brasil, de antes e de agora.

Talvez isso seja insegurança, e nomes rombosos e famosos ajudem a nos tirar, pelo menos momentaneamente, de nossa zona de desconforto. E, por que não, aliviar a nossa consciência.

A questão é saber se isso funciona.

Não funciona.

O impeachment de Dilma, se ocorrer, o que é pouco provável, ocorrerá por meios legais.

E se não ocorrer, que é o que deve acontecer, não ocorrerá graças à justiça.

Os manifestos, como ocorreu com aqueles muitos da época de ditadura militar, vão para o limbo da história.

Reconfortantes ou não eles não têm efeito prático algum.

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