No balanço de perdas&ganhos de 2015 movimentos sociais vencem e sufocam os conservadores

A forçaHá quem dissesse – este blog, por exemplo – que 2015 não iria acabar tão cedo, se estenderia para 2016, quiçá mais para frente.

Duas “realidades” embasavam a certeza: (1) a crise econômica e (2) a crise política.

A economia

A crise econômica brasileira é séria e o próprio governo prevê que ela seja mais aguda ano que vem.

Mas crises econômicas são assim mesmo. Elas passam de um ano para o outro sem respeitar o arcaísmo das comemorações de finais de dezembro e os rituais de feliz ano novo, como se a cada ano a sociedade mundial renascesse para um novo tempo.

2015 fecha-se com uma queda superior a 3% do PIB, com uma inflação na casa dos 10% (no ano), com a perda de 945,4 mil postos de trabalho em todo país e com retratação na indústria (de transformação), no comércio, nos serviços, na agropecuária e na prospecção mineral.

No balanço geral do início do ano que vem, sobre 2015, os números (que já estão começando a aparecer, como os dos postos de trabalho citados acima) deverão assustar, como, aliás, já estão assustando.

Mas o que pouca gente há de notar é que se trata de um acumulado, e o pior da história aconteceu (como sempre ocorre) no primeiro semestre do ano que está para se acabar.

No rastro do foguete que despenca, o Brasil deve cair da 6ª para a 8ª ou a 9ª posição no ranking do PIB (nominal); isso se os números de vários países que estão mais embaixo não vierem a surpreender mais ainda.

A Índia, quase certo, deve ultrapassar com folgas do Brasil, e estão ainda se aproximando Reino Unido e Itália.

É possível que 2016 venha a ser pior que 2015 (como prevê o próprio governo)? É… mas é justamente aí que entra a política.

A política

Uma análise da crise que cerca o governo da presidente Dilma e que esfacela o seu partido (o PT) defende que a crise política contaminou a economia brasileira, daí o debacle.

É uma forma de dizer as coisas sob um prisma muito particular, mas, o que fica é um velho mantra: ser possível se contar uma grande mentira juntando apenas verdades.

A rigor, como a própria presidente já admitiu, a crise econômica (que é mundial, diga-se) iniciou-se em 2008 (na minha avaliação, em 2006) e foi tratada pelo governo brasileiro com certo desdém e muita arrogância.

Quem se esquece da “marolinha” do Lula na época?

Pura irresponsabilidade!

O impeachment

Se os apertos econômicos e políticos indicavam (para uma parcela grande, pouco instruída e muito irresponsável da população) que a presidente Dilma Rousseff acabasse por sofrer impeachment, via Congresso Nacional, os acontecimentos desta semana indicam que se a presidente ainda corre algum tipo de perigo (nesse sentido) a tese do impeachment (por si só inconsistente e frágil) acabou por evaporar-se graças e obra aos votos dos ministros do STF ontem.

Mas o que levou a essa mudança tão repentina (e, para muito, inesperada) de ares?

O legalismo dos senhores e das senhoras juízes e juízas do Supremo e mui especialmente os movimentos sociais.

Os movimentos sociais

Aqui, antes de prosseguir e terminar o texto, é necessário pontuar e distinguir o que são os movimentos sociais.

A revelia das formalidades legais que separam alguns grupos de outros, há que se dizer que, por principio, todos eles têm caráter de reivindicação e de inclusão; são libertários na essência e progressistas nas suas concepções.

É certo dizer que parte deles tem ligações profundas com os governos ditos progressistas (no nosso caso, com o PT), mas muito deles são independentes (diria, a maioria) e, por que não, boa parte deles (parte difícil de ser quantificada sem um estudo mais acurado e profundo) de esquerda.

A manifestação de ontem (em boa parte do país), que tanto chocou e acuou os ditos “conservadores”, ou, mais corretamente, os anti-governistas, é uma boa mostra da força que os movimentos sociais (organizados) possuem.

Numa postagem rápida feita ontem nas redes sociais (Face e G+) lembrava que:

FORÇA É FORÇA, O RESTO É PURO PAVOR

Deus e Jeová são testemunhas: até agora estava eu quietinho, sem dar um pio, sobre a manifestação de ontem.
Esperava a nobre manifestação dos meus amiguinhos e das minhas amiguinhas coxas.
Vi nenhuma não por aqui.
Vi aquele lero-lero nos comentários de sites: “mortadela”, “vagabundos pagos pelos governo” e foram por aí as nobrezas, a honestidade e a educação.
Vá lá que não aconteceu “em todas as capitais brasileiras” e “em cidades de menor porte”.
Sei… e daí?
E, principalmente, vá lá que tenha sido organizada pelo PT, pela CUT, pela UNE, pelo MST e sabe-se lá por mais quem.
Mas a história está aí: é organização, é força.
E é isso que apavora os coxas acostumados com o espontaneismo de ir às ruas levar cachorrinho pra passear e protestar “contra tudo isso que está aí”.

O retorno

Gostando-se ou não dos ditos “governos progressistas” e dos movimentos sociais o que essa “gente do contra” tem de entender que este é um caminho sem volta.

Não se tem mais como e nem se quer mais recuar das lutas dos pretos, dos homossexuais, das mulheres, dos índios, dos pobres e dos demais grupos sociais vulneráveis.

Bem ou mal, os “governos progressistas” espelham esse caminho “sem volta” e, no objetivo, eles (os “governos progressistas”) nascem dos movimentos sociais e de suas lutas e não o contrário.

Se alguém ainda pensa em retornar aos velhos anos da “dominação oligárquica”, com a aquiescência de boa parte da classe média, está equivocado.

O único caminho que fica é o caminho da inclusão social (vagarosa ou mais rápida, pouco importa, mas é o único caminho que está posto).

Ou se entende isso, ou se perece.

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