A fala experta da senhora ministra Tereza Campello

Tereza
Reprodução

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, disse à Folha de São Paulo que o estancamento ou a restrição do/ao Bolsa Família provocaria uma onda de migração.

Hum!

O governo federal continua brigando com a lógica; com as palavras e com os discursos na vã esperança de que todos sejamos suficientes tolos para acreditar em tolices e em prognósticos oficiais e especulativos.

Óbvio está que a senhora ministra fala da migração interna e mais precisamente da migração de nordestinos; Nordeste tão caro ao lulo-petismo e ao seu idealizador e condutor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Defesa oportuna, mas…

A defesa do programa é correta, e deveria ser um mantra para todos nós que convivemos há séculos com a miséria de parte considerável da população brasileira.

O que está embutido na fala de Tereza Campello, no entanto, é preocupante.

Antes de tudo, é bom ressaltar que a migração interna brasileira não se esgota no abandono (forçado) de suas terras por gentes nordestinas.

Por exemplo, se alguém tiver a paciência de consultar os relatórios do IBGE sobre população irá descobrir que no estado de São Paulo existem mais mineiros que nordestinos, fenômeno que deve se repetir no estado do Rio de Janeiro, e, quem sabe, nos estados sulinos (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

A especulação da senhora ministra, no entanto, se centra na migração, mais precisamente na sua volta.

Como assim volta, se ela nunca deixou de existir?

O próprio IBGE registra desde os anos 80 um decréscimo da migração (especialmente a de nordestinos) rumo a São Paulo, fenômeno que já havia ocorrido com o Rio de Janeiro, a partir da década de 60, muito em razão da mudança da capital do país para o Centro-Oeste brasileiro.

O fenômeno paulista/paulistano difere do fluminense/carioca, posto que a “especialização do trabalho” no estado e na cidade bandeirantes prescindem de mão de obra pouco qualificada (embora o mesmo fenômeno também possa ser verificado no RJ e nos estados sulinos).

A mudança

A “pujança” do eixo Brasília-Goiânia substituiu os estados tradicionais na atração de migrantes de baixa qualificação para o trabalho já nas duas últimas décadas do século 20.

Isso, de cara, derruba a tese do lulo-petismo de que foram os programas sociais dos governos petistas que estacaram a migração interna e até, por que não, a inverteram.

O crescimento exagerado das grandes e médias cidades nordestinas ajudam a colocar mais algumas pás de cal no discurso petista.

Ou seja, a partir do início deste milênio (fenômeno já iniciado na última década do século 20) a migração que antes era direcionada ao “Sul Maravilha” persistiu, mas agora para o interior do próprio Nordeste.

Não fossem estes dois fenômenos novos, acrescente-se que as “franjas” da Amazônia também passaram a ser alternativas viáveis para esses migrantes pobres (nordestinos e não nordestinos).

Clareando

E é aí que devem voltar à cena tanto IBGE quanto o IPEA para medir correta e concretamente a movimentação das populações pobres brasileiras dentro do território nacional.

Acrescente-se nesse mote ser necessário que o país estude o fenômeno do esvaziamento dos interiores brasileiros em razão da mecanização do trabalho, do avanço do agronegócio e do crescimento do latifúndio.

Para fechar o texto, cumpre lembrar que se as políticas públicas do governo federal tiveram impactos importantes nas regiões mais pobres do país, a questão da posse da terra, especialmente no Nordeste, mas não só nele, continua sem solução.

Pelo contrário: o fenômeno foi agravado nas últimas décadas, com prejuízos a trabalhadores sem terra, índios, ribeirinhos, quilombolas etc.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s