Vem aí mais uma onda de protestos para varrer o país (?)

Adital
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Pelo menos é assim que suspeita o jornalista Jânio de Freitas em seu artigo na Folha de São Paulo de hoje:

“… o problema das passagens de ônibus excede o âmbito decisório das prefeituras… as passagens de ônibus demonstram que o seu poder de pretexto está pronto para se estender a outros possíveis protestos… Todos esses acontecimentos são linguagens, são reflexos, são indicações. Que as classes bem servidas … preferem não perceber.”

Em seu blog, Alceu Castilho vê o MPL (Movimento Passe Livre), que deflagrou os protestos de 2013 e estes do início de 2016, contra o aumento das tarifas do transporte público, refém e apenas coadjuvante da Polícia Militar e dos assim identificados black blocks.

É necessário recordar que os protestos de 2013, desencadeados pelo MPL, abriram a caixa de pandora brasileira e desembocaram, mais tarde, em protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff e contra a corrupção.

Minimalismo

Numa pressa típica do jornalismo atual e de grupos políticos (especialmente de esquerda, presos, ainda, a um passado remoto) é fácil identificar nos protestos do MPL uma espécie de nascedouro da serpente com tinturas reacionárias.

Mas também é fácil entender por que essa gente não entende e/ou não quer entender o que está ocorrendo, como aliás está ressaltado ao longo do texto de Jânio de Freitas.

A desvinculação do MPL, assim como dos estudantes paulistas, protagonistas das ocupações dos prédios escolares do ano passado, dos grupos tradicionais da política partidária deixa essa gente (ainda presa ao tradicionalismo ideológico) perplexa.

Como entender, de pronto, algumas “novidades”?

Se é lícito lembrar que os protestos do MPL, em 2013, foram capturados por grupos, digamos, violentos, e se transformaram em mantras contra o governo federal e a corrupção patrocinada pelo Estado, é lícito lembrar, igualmente, que ao colocar a classe política (federal, estadual e municipal) contra a parede, o MPL e os protestantes iniciais não obtiveram uma resposta clara e efetiva das “autoridades públicas” das três estâncias do poder.

O restante é uma história que ainda está sendo escrita nas ruas, nos tribunais de justiça, nos meios de comunicação e no Congresso Nacional.

“O que será, será”

A questão, portanto, não está em criminalizar os movimentos juvenis (contra as tarifas e contra as reformas no ensino em São Paulo e em Goiás), mas entender que o país vive um novo momento reivindicatório que se espalhou das cidades para o campo, dos jovens para os adultos, das classes médias para as camadas mais pobres das populações urbanas e rurais; letradas, semiletradas e analfabetas.

Quem não entender isso perecerá, como já estão perecendo os partidos políticos.

Quem não entender isso naufragará, como já estão naufragando os governos federal, estaduais e municipais.

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