A contra-crise em tempos de crise aguda

O patoÉ justo registrar por aqui, pois já havia registrado nas redes sociais inúmeros casos contrários.

À frente do prédio onde moro, no Núcleo Bandeirante (DF), há um pequeno mercadinho, que, inicialmente, mais parecia uma frutaria.

O dono, em parceria com a própria esposa, é um sujeito taciturno, mas, contraditoriamente, bem falante.

Como boa parte dessa gente que tem alguma coisa e pode ganhar a vida mais folgadamente que a maioria dos brasileiros, nosso amigo proprietário é um visceral inimigo de Dilma Rousseff e do PT.

Ele se crê bem informado, e sua informação vem do whatsapp, às toneladas, e a origem centra-se em seus amigos que pensam como ele; informações que ele trata de disseminar, via whatsapp, para outros tantos amigos que ainda “estão desinformados”.

Trata-se de uma boa pessoa. Gosto de conversar com o sujeito.

O comércio dele vai indo bem, e nesses 13 meses nos quais estou aqui, e transformei-me em seu freguês, aquilo que era uma tímida frutaria evoluiu para um mercadinho meio que pobrezinho e, agora, em reforma, está virando um mercado periférico de verdade, já com uma variedade de ofertas considerável.

Ao que me consta (ainda não tenho absoluta certeza) parte do que comercializa (frutas e legumes) vem de uma propriedade da própria família.

Torresmo

Ao lado direito do prédio onde moro, um preto magro, silencioso e um bocado magro (que sofre de reumatismo) tinha, até semana passada, um barzinho pé-sujo, cujas grandes ofertas eram cerveja gelada, cigarro picado e torresmo à moda goiana.

A birosca ficou alguns dias fechada, em dezembro passado, por conta da reforma no prédio, mas voltou a reabrir.

No último final de semana o “barzinho” estava fechado e as mesas colocadas em seu tapume haviam desaparecido.

Imaginei de pronto (nossa imaginação é sempre fértil para as catástrofes) que o preto magro (cujo nome nunca guardei) tivesse quebrado.

Fui assuntar e a descoberta foi surpreendente: ele havia se mudado com o seu negócio para um prédio de aluguel mais caro, com espaços maiores e mais bem centralizado.

Longe de mim entender que então, por esses dois exemplos, a crise econômica brasileira é uma invenção da oposição e da mídia para destronar Dilma Rousseff da cadeira do Palácio do Planalto.

Há inúmeros casos (que se somam aos milhares) de quebradeira por todo o país, arrasando pequenos, médios e grandes negócios.

A perda de postos de trabalho ultrapassou, ano passado, a casa dos 10 %.

Os “gêneros de primeira necessidade” estão caros e há um horizonte sombrio pela frente.

Mas não seria justo deixar de registrar a evolução desses dois comerciantes aqui das cercanias.

Com ou sem crise eles vão seguindo.

Gostando ou não de Dilma Rousseff eles mantêm a jornada e até crescem um pouquinho.

Alvissaras!

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