Os maus são tão maus assim, como pintam governos, moralistas e imprensa?

El Chapo
Crédito da foto: abcnews.go.com

Bem… depende, mas antes vamos a alguns considerandos.

O governo mexicano está um bocado bravo com a atriz Kate del Castillo; ele, o governo, e a justiça mexicana querem chamá-la para depor, pois, segundo os bochichos, foi del Castillo quem intermediou a entrevista do ator norte-americano, Sean Penn, com o mega, super, hiper traficante El Chapo para a revista, também norte-americana, Rolling Stone.

Hum… sei… e daí?

Kate del Castillo, que é casada em “segundas nupciais”, também teria trocado juras de amor com o baixinho.

Hum… sei… e daí?

Quem deveria estar bravo com essa história não seria o segundo maridão da atriz?

O governo mexicano deveria estar bravo consigo mesmo (sic) por até agora não ter resolvido o caso do desaparecimento (e provável assassinato) de 43 jovens estudantes e pela fuga (duas vezes) de El Chapo de sua penitenciária de “segurança máxima” (sic).

De mais a mais, Del Castillo estava preparando roteiro para um documentário sobre a vida do baixinho.

Que nessa conversação toda saia um mimo sensual ou outro o que é que tem de mais?

Como não tem nada de mais um documentário sobre já legendária figura.

Se já foram feitos vários documentários a respeito da “dama de ferro” Margaret Thatcher, que fez um mal danado para o mundo todo e especialmente para os trabalhadores do Reino Unido, qual é o problema de se retratar as peripécias de El Chapo na tela?

Ativismo

A pegação no pé de Sean Penn também é outro troço ridículo.

Penn é um ativista de direitos humanos e filho do diretor de cinema Leo Penn, perseguido pelo macarthismo em meados do século 20.

É ativista tanto quanto é del Castillo, quanto o foi Leo Penn, como é/ou foi El Chapo.

Vá lá perguntar nas comunidades mexicanas dominadas/beneficiadas pelo traficante para saber o que essa gente acha de El Chapo.

Certamente receberá respostas similares às dadas com respeito a Pablo Escobar, o colombiano, assassinado pelas forças de segurança do país, com ajuda do DEA (Drug Enforcement Administration).

Tudo é, portanto, uma questão de visão de mundo, de interesse individual e/ou coletivo.

Em outras palavras: de pragmatismo.

De objetivo fica que: onde o Estado não chega com suas políticas públicas e seus equipamentos sociais chega qualquer um, inclusive traficantes e outros gêneros de ilegalidade.

Mas, fica, igualmente, difícil distinguir quem está/é ilegal nessa história toda: se o mega traficante que entope cidades e países de drogas ou se os governos que mantêm parte das populações de seus países fora do butim do qual se beneficiam políticos, empresários e outros tipos de oportunistas e espertalhões.

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