O carnaval está acabando? Que bom!

Carnaval 02
Crédito da ilustração: http://www.superfestassaara.com.br

No início dos anos 90 (do século passado, óbvio) uma pesquisa encomendada pela Rede Globo ao Ibope indicou que 64% dos brasileiros não gostavam de carnaval.

O assunto nunca virou pauta de matéria dos principais veículos de comunicação do Brasil.

Há uma explicação simples para isso: o dinheiro.

Os meios, sejam quais forem eles, cobram uma fábula dos “senhores anunciantes” para a “propaganda” durante o “tríduo momesco” mesmo que não tenha muita gente para consumir as peças de divulgação.

É a lógica do capital: fazer dinheiro surgir de algum lugar para que o sistema continue funcionando, pois, afinal de contas, quem paga a conta é o consumidor desavisado mesmo.

A fábula do “país do carnaval” estava desfeita, coisa ruim para um país que vive de fábulas fabulosas e teima em não colocar os pés na miserabilidade de seu cotidiano.

Este ano, cerca de uma centena e meia de municípios brasileiros suspenderam as festividades carnavalescas por conta da crise.

Há quem diga que isso é pura demagogia, pois o dinheiro economizado não vai necessariamente para a educação e para a saúde, como argumentam os “alcaides”.

Pode até ser, mas o simples fato de os municípios deixarem de interditar ruas e avenidas e de gastar dinheiro com uma coisa inútil já é uma boa notícia.

Mas há uma questão mais séria que antecede a isso tudo: por qual razão municípios, muitos deles paupérrimos, gastavam (muitos continuam gastando) fábulas (em seu conjunto) de recursos públicos com uma festança para a qual pouco mais de 2/3 da população não dá a mínima?

Tomando as capitais das unidades federativas (Brasília e as cidades-sedes dos estados) como parâmetro talvez se possa dizer (mesmo que com uma certa margem de erro) que apenas o Recife (juntando-se a ele, Olinda) tem um carnaval espontâneo, uma festa popular, onde são os seus moradores e os turistas quem o comandam.

No restante, especialmente no Rio de Janeiro e em Salvador, trata-se de uma festa excludente e cara, o que alija a maior parte da população, e exatamente aquela mais pobre, de poucos recursos.

Aliás, pessoalmente tenho uma antipatia particular pelas escolas de samba (especialmente as do Rio de Janeiro).

Acho aquilo uma chatice, um rame-rame insuportável.

Já disse em outras ocasiões (atropelando a lógica dos desfiles de escolas de samba) que se todas as músicas de cada uma delas forem executadas durante o desfile de uma só escola não muda de lugar um palito jogado na rua.

Ou se, uma única música for executada para todas as escolas desfilantes, idem, idem.

Aquilo é um paticundum do qual já deveríamos ter nos livrado há muito tempo.

E.T.

(1) Já existe, há décadas, um movimento no Brasil para se extinguir o carnaval. Essa festaria toda acaba jogando o país numa semana inútil e de desperdícios variados.

O que se espera como essa atitude dos cento e tantos municípios deste ano é que o movimento se fortaleça e acabe logo com essa alegria de faz-de-conta.

(2) Brincando, brincando, o carnaval aprisiona todo o país numa paralisia improdutiva iniciada pelas grandes férias de verão que começa em dezembro.

Há uma ilusão de que o país “ganha” com essa festaria toda e com o deslocamento de pessoas.

Bobagem pura, pois não há números confiáveis que sustentem a tese, muito pelo contrário, o que aumenta mesmo é o numero de acidentes nas estradas; o de roubos e furtos nas cidades; os estupros e os casos de agressão.

(3) Tem muita gente enrolada nas investigações do ministério público e da Polícia Federal adorando a paralisia do país até o carnaval.

Acontece que a festança começa no próximo sábado e termina na terça-feira da outra semana.

Aí o país volta à sua normalidade, para nós outros e para os arrolados nessas investigações todas.

Abaixo do carnaval!

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