Haddad envelhece e perde a batalha para jovens paulistas

Haddad vaiado
Carro de Fernando Haddad cercado por manifestantes logo após sair de missa na catedral da Sé (SP) – (25/01/2016) – veja.abril.com.br

Slogan da geração norte-americana que estava perdendo seus pais para a guerra do Vietnã, “não confie em ninguém com mais de 30” transformou-se em frase catalizadora dos estudantes franceses nas revoltas de maio de 68.

Se o ser humano torna-se adulto aos 23/24 anos, demora ainda mais 7/6 anos para amadurecer.

A partir daí, beijinho, beijinho, tchau, tchau: passa para o outro lado do espelho no eterno conflito de gerações.

Jovem professor, bonito e elegante, Fernando Haddad era a esperança do Partido dos Trabalhadores para rejuvenescer e sintonizar o PT com uma contemporaneidade (mais) ética.

Eleito prefeito de São Paulo, como um dos “postes” de Lula, Haddad aparenta não gostar de política e, como lembrou dia desses o jornalista Ricardo Kotscho, em seu Balaio, o dirigente paulistano parece fazer de tudo para que não o reelejam este ano.

Na especulação de Kotscho, provável que Haddad pense em apenas voltar às suas aulas na Universidade de São Paulo e deixe a política para os seus “profissionais velhos de guerra”.

Faz sentido!

Em artigo ontem no Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira aprofunda essa análise e diz igualmente não compreender o comportamento de Haddad que teima em não dialogar com a sociedade, especialmente com a camada mais jovem; e ainda se sai (como estratégia de defesa) com ironias e piadinhas de mau-gosto, como aquelas histórias de ir para a Disney ou de comida grátis.

Talvez tenha aprendido com a ex-petista e também (ex) prefeita de São Paulo, Martha Suplicy, que frente à irritação dos usuários com os atrasos infernais dos voos soltou uma frase de entrar para a história: “relaxa e goza”.

No DNA

É provável que esteja no dna do PT o não diálogo com a sociedade, especialmente com aqueles segmentos sociais dos quais o partido não gosta (as zelites, os coxinhas) e que igualmente não vão muito com a cara dos “cumpanhêro”.

Mais esperto que os compas e as compas, mais chiques e mais bonitos, pelo menos Luiz Inácio Lula da Silva fazia de conta que ouvia a sociedade, embora atendesse pouco ou quase nada do que ela reivindicava, levando os seus dois governos pelo caminho que entendeu levar e a seu modo.

Aliás, isso deu no que deu.

No centralismo antidemocrático que se instalou no PT destaque especial para os blogueiros (chapa branca, no dizer de seus adversários e inimigos) que fazem o trabalho sujo que a liderança partidária não tem coragem de explicitar.

É essa gente quem estigmatiza os jovens rebeldes como gente de direita, manipulada pelo PSDB – essa espécie de mãe de todos os males, no lero-lero raso do petismo.

Não são, como lembra Nogueira em seu artigo.

Trata-se de uma moçada de esquerda que não quer ligação com a velha política da qual o PT faz parte e coro.

Acrescentaria eu: essa moçadinha está mais à esquerda que o petismo, que, a rigor, nem sequer foi algum dia de esquerda; mas apenas teve alguns espasmos esquerdizantes, provocados por estatistas dos tempos da guerra fria.

Não é de se espantar, portanto, que Haddad, juntamente com o governador paulista Geraldo Alckmin, tenha sido hostilizado ontem, quando saiam (ambos) de uma missa na histórica e simbólica catedral da Sé, no centro de São Paulo.

Haddad foi mais hostilizado que Alckmin: acossado e vaiado, ainda levou nas costas uma garrafinha de água (vazia) e foi chamado de “bundão” – frouxo – por várias jovens.

Merece!

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