Governo brasileiro acumula uma ideia sem nexo atrás da outra

DilmaRafael
Foto: Agência Brasil

Em crise e com pouco dinheiro em caixa, ao ponto de cogitar usar dinheiro das reservas cambiais (quer dizer, raspar o fundo do tacho), o governo brasileiro mantém sonhos soberbos, e, por isso, eis que a presidente Dilma Rousseff foi ao Equador para encontrar-se com o presidente Rafael Correa e conversar sobre a criação do Eixo Multimodal Manta-Manaus.

Trata-se de uma ideia de jerico, como se costuma dizer pelas ruas, e a terceira ideia maluca visando ligar o Brasil ao oceano Pacífico.

A primeira delas, oriunda ainda dos tempos da ditadura militar, é a Perimetral Norte, que em território brasileiro iria ligar os estados do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, conectando-os ao Peru e, consequentemente, ao oceano Pacífico.

A segunda é a tal da Transoceânica, ligado o estado do Rio de Janeiro, passando por parte do Sudeste, Centro-Oeste e sul da Amazônia brasileira.

E a terceira é do tal do Eixo Multimodal Manta-Manaus.

Além da falta de dinheiro, o Brasil age em relação à Amazônia como se não houvesse amanhã.

Dane-se tudo! O que interessa é o tal do desenvolvimento.

Age como se as peculiaridades do meio ambiente amazônico fossem um obstáculo desprezível e superável.

Age como se pela região não houve cultura autóctone, índios e um meio ambiente singular e único.

Dane-se tudo! O que interessa é o tal do desenvolvimento.

Como se toneladas de dólares que envolveriam a construção de portos, eclusas, retificação de rios, colocação de trilhos de estradas de ferro, pontes, viadutos, tuneis e sinalização e conservação trouxessem benefícios consideráveis ao país e à população brasileira capazes de compensar a destruição do meio ambiente e o desalojar de centenas de comunidades índias e não índias.

Dane-se tudo! O que interessa é o tal do desenvolvimento.

Fissura

A fissura brasileira é com o mercado asiático de commodities, hoje em queda livre (e sem bilhete de volta).

No raciocínio raso do governo nacional, exportar para China, Japão e todo extremo oriente via Pacífico é menos custoso que o atual modelo exportador, cujos navios saem pelo sul do Atlântico, passando pelo sul da África.

Ocorre que não é.

Uma centena de estudos já demonstrou que o atual caminho, via Atlântico, é o mais adequado para o setor agroexportador, pois o custo do transporte é mais baixo (menor).

Não por acaso o principal porto exportador de grãos do país fica no estado do Paraná (Paranaguá).

Mas o governo brasileiro leva a sério esse tipo de estudo?

Se levasse não se aventuraria na construção das hidrelétricas da Amazônia (muito especialmente de Belo Monte), na Transposição do Rio São Francisco e nem investiria no Porto de Mariel, em Cuba (os norte-americanos agradecessem penhorados tanto esforço brasileiro).

Aliás, sobre o Porto de Mariel ouvi e li genialidades explicativas dos compas: as “mercadorias” sairiam do Brasil, seriam “internadas” no porto cubano e de lá iriam para a Ásia usando o Canal do Panamá.

Genial!

Os navios com as “mercadorias” passariam defronte ao Canal do Panamá, internariam as “mercadorias” de Cuba, que de lá seriam embarcadas em navios (os mesmos?), que rumariam até do Canal do Panamá (de novo!) para daí acessar o Pacífico e chegar ao extremo oriente.

Muito bom!

Depois são os portugueses os burros da história.

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