Qual será a reação da sociedade brasileira a uma eventual prisão de Lula?

Ube PT 02
Jorge Araújo/Folha de São Paulo

Tem gente estocando fogos de artifício, renovando panelas, tampas e colheres, mandando revisar as buzinas de seus veículos na espera da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pretende-se infernizar a vida nacional com foguetórios, panelaços e buzinaços por alguns dias.

Vilipendiar uma pessoa é a forma pela qual muita gente acredita ser possível atingir a felicidade.

Trata-se de um traço desprezível de nosso caráter.

Lula é Lula

Luiz Inácio não é um sujeito qualquer.

Brincando, brincando é um dos políticos mais importantes da história nacional, se não o mais importante.

Ninguém perde três eleições nacionais seguidas, mas sempre em segundo; nem se elege duas vezes consecutivas e ainda, de quebra, elege por mais duas vezes seguidas uma de suas protegidas.

Talvez esteja aí a razão de tanta ira.

Lula errou

É provável, assim como qualquer ser humano erra na vida e mais de uma vez.

Se os erros do ex-presidente foram profundos, inconfessáveis e imperdoáveis isso é o que a justiça vai dizer.

Este, seguramente, não é o melhor ano da vida de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente está enrolado em pelo menos cinco investigações da justiça, embora (até agora, pelo menos) apenas como citado ou testemunha.

Essas sutilezas na justiça não mudam a ordem das coisas: está todo mundo de olho no ex-presidente.

Lula e a história

Há muita gente que costuma comparar o calvário de Luiz Inácio (assim como o de Dilma Rousseff) aos meses e anos que antecederam ao suicídio de Getúlio Vargas.

Lula, assim como Getúlio, é trabalhista e alvo de uma série de acusações, boa parte delas sem sentido e sem provas.

Ambos foram quase unanimidades nacionais (pelo menos para a classe trabalhadora e parcela considerável dos pobres), mas as similaridades terminam por aí.

A começar pela origem: Getúlio era um estancieiro sulista de posses; Lula, um nordestino pobre que se viu obrigado (com a família) a migrar para São Paulo para sobreviver.

O trabalhismo getulista se concentrava basicamente nas áreas urbanizadas e fabris com penetração tênue nos rincões mais pobres e atrasados do país.

O lulismo saiu das fábricas do ABCD paulista para “tomar de conta” de praticamente todos os estados brasileiros e das classes pobres e médias do país.

A reação a Getúlio concentrou-se na então capital brasileira (Rio de Janeiro) e no já pujante estado de São Paulo; com ramificações nem sempre firmes nas outras unidades federativas.

A reação a Lula, a exemplo do que ocorreu com o próprio lulismo, espraiou-se pelo país todo e atingiu todas as camadas sociais.

Lula e a reação

É correto lembrar que o suicídio de Getúlio provocou uma série de reações populares, especialmente no Rio de Janeiro, mas também (de maneira mais tênue) em outros estados federativos.

Há quem aposte que uma prisão de Lula (seja por qual razão venha acontecer) provocará uma grande reação popular no país, especialmente no Nordeste brasileiro.

Nem Lula, nem os petistas parecem estar certos de que isso venha a ocorrer.

Se o prestígio de Lula (51% de aprovação) não permitiu (segundo testemunhas políticas petistas e não petistas) que o ex-presidente fosse envolvido no Escândalo do Mensalão, por receio de uma “revolta popular”, a situação hoje é bastante diferente e adversa.

Com o partido praticamente implodido, sem apoio na imprensa e da maioria dos movimentos sociais, Lula (caso realmente aconteça de ser preso) poderá ser surpreendido pelo tamanho de sua solidão e abandono.

Lula tem tomado medidas corretas ao questionar na justiça pessoas e meios de comunicação que o acusam sem provas e disseminam, pelas redes sociais, inverdades, xingamentos e agressões.

Já falamos disso aqui em Lula tem o dever moral de destruir os seus inimigos.

Lula e o equívoco

Assim como seu partido, Luiz Inácio tem se centrado num debate infinito (e desumano) com a mídia e as redes sociais.

Mas é aí que está o problema da derribada de seu prestígio?

Não!

O problema, como sempre, está nas ruas, na boca e no comportamento das pessoas.

Se é possível identificar na mídia detratores e enfrentar, nas redes sociais, gente que se esconde atrás do anonimato, o que se vê pelas ruas são pessoas de carne e osso, que não escondem os seus rostos e nem as suas indignações.

Gente de verdade, portanto, que está insatisfeita, e diria mais: furiosa.

O sair das ruas (sintoma que já aparecia no primeiro governo de Luiz Inácio) em favor de organizações parceiras e em detrimento de largas faixas da população já foi apontado como o grande calcanhar de Aquiles do ex-presidente.

Tão grande que o fragilizou, pulverizou os 84% de aprovação (quando saiu do governo) e transformou-se numa tsunami.

Reverter essa onda imensa não é exatamente impossível, mas a pergunta que se tem de fazer é: dará tempo?

É pouco provável!

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