Financiamento coletivo é uma boa ideia e vai salvar o jornalismo (?)

Financia
Crédito da ilustração: http://www.cutedrop.com.br

O jornalismo atual enfrenta dois problemas.

Um deles é a centralização dos meios (de comunicação) nas mãos de umas poucas famílias, como é o caso brasileiro, mas não só.

Esse viés centralizador cria algumas distorções, entre elas dar uma visão unilateral dos fatos e acontecimentos.

Atualmente (com os exageros de praxe) as esquerdas reclamam (com grande dose de razão) do “monopólio” da informação/comunicação.

Combater isso tem duas saídas: (a) a descentralização dos meios e (b) as finanças.

Embora no Brasil já exista (de há muito tempo) uma legislação que coíbe a cartelização e o uso cruzado de vários meios (jornais/rádios/TVs/mídias sociais), essa é uma lei (como tantas outras) morta.

Ninguém a obedece, pois, afinal, empresas jornalísticas e/ou de comunicação são simples empresas, e como toda empresa o fim delas é o lucro e não o produto (de boa qualidade).

No caso, aliás, quanto pior for (para o consumidor) melhor será para o empresário.

É lucro garantido.

O custeio dos meios é outro grande enrosco, com o qual as grandes e as pequenas empresas e/ou iniciativas (espontaneistas) não estão sabendo lidar.

Está faltando dinheiro pra todo mundo.

O grande maná das grandes empresas (tipo Abril, Estadão, Folha, Globo) sempre foram os governos, o federal, principalmente, mas, igualmente, os estaduais, e alguns municipais.

Essa fonte parece estar secando, o que leva a cortes de pessoal recorrentes e à reformulação de conteúdos e até de supressão desses.

Alternativa

A corda, só para variar, e como sempre, no entanto, rompe do lado mais fraco: os pequenos meios e as iniciativas (empresariais ou não).

Surgido há alguns anos nos Estados Unidos, o financiamento coletivo (o crowdfunding) aparenta ser uma boa ideia.

Mas será?

Como proposta é ótima, pois engaja o consumidor de informação diretamente no projeto e rompe com a lógica capitalista do lucro a qualquer preço.

Mas a iniciativa nos empurra para uma outra questão para a qual ainda não temos resposta: a sustentabilidade.

A palavra sustentabilidade ganhou um caráter muito exclusivo, nas últimas décadas, por conta do manejo da natureza.

Existe até quem confunda sustentável com sustentado.

Mas sustentabilidade (de sustentável), no caso dos meios de comunicação, e no seu uso correto, diz respeito ao fôlego que uma iniciativa tem de prosseguir na sua jornada.

Pensemos um pouco: por que um determinado número de pessoas iria participar de um financiamento coletivo (um jornal, por exemplo) por muito tempo?

Não há razão alguma para a manutenção desse tipo de mecenato por um tempo longo.

A iniciativa se desgasta, gera desconfortos e afugenta as pessoas.

A menos que as empresas/iniciativas criem estratégias eficientes para rodar/girar o número de mecenas, esse tipo de financiamento tende a se esvair rapidamente.

A saída, como sempre, volta-se para o mercado (hoje tido essencialmente como capitalista), no qual os mais capazes e/ou mais esperto, ou expertos, como queiram, acabam por sobreviver.

O restante (que é sempre a maioria) tenderá a desaparecer num curto prazo de tempo.

Regulação

Regular isso via lei tem seus muitos inconvenientes.

Um deles é que os alternativos (os mais frágeis) ficarão reféns dos recursos públicos, que, como todos nós sabemos, são voláteis, variando de acordo com o grupo que está no poder.

Outro inconveniente (e lincado à primeira hipótese) está no uso político (e até partidário, e por que não, ideológico) que se faz do produto informação.

Se estamos numa sociedade democrática isso não cabe, a menos que desejemos romper como ela (a democracia) e implantar um regime autoritário (de esquerda ou de direita, tanto faz), mas isso não muda a ordem das coisas: os veículos, antes alternativos, ficarão (mais do que nunca) reféns dos humores dos poderosos da ocasião.

Saída

Por mais antipática que possa parecer (especialmente para os esquerdistas) a saída está no mercado, e na qualidade do produto (informação) que será oferecido ao público consumidor.

E ao contrário do que querem fazer crer os esquerdistas, o mercado não é uma invenção do regime capitalista.

Muito pelo contrário: o mercado surgiu como prática recorrente de sobrevivência e de consumo há cerca de sete milênios, portanto um bocado de tempo antes do surgimento do capitalismo (no século 16) e de seu antípoda, o comunismo-marxismo, que data da passagem do 19 para o 20.

Leituras complementares

O que é Financiamento Coletivo? – Meu Financiamento …

Financiamento coletivo: o poder das pessoas – US …

Financiamento Coletivo – Consumo Colaborativo Brasil …

Qual o poder da mídia? | Observatório da Imprensa – Você …

O poder da mídia sobre as pessoas e sua interferência no …

A mídia em nossas vidas: Informação ou manipulação ?

A história dos jornais e as origens do jornalismo | Guia da …

Conceito e história do Jornalismo brasileiro na … – PUCRS

História do Jornalismo no Brasil | Comunicação Pública

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