Ferrovia Norte-Sul já me obrigou a dar o melhor de mim

A Norte Sul
Crédito da ilustração: agenciabrasil.ebc.com.br

Como se lê na mídia hoje, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira mais uma fase da Operação Lava Jato, apelidada de O recebedor, para investigar o pagamento de propinas durante a construção da Ferrovia Norte-Sul (da Leste-Oeste também), que liga Senador Canedo, em Goiás, a Belém, a capital do Pará.

A Norte-Sul é uma velha conhecida, projetada nos tempos da ditadura militar, e que agora “torna-se realidade” no governo de Dilma Rousseff.

No vértice da história as empreiteiras nossas, também, velhas conhecidas.

Em 1986 a agência da Folha, para a qual trabalhava na condição de correspondente na Amazônia Ocidental, baseado em Manaus, a capital do Amazonas, me passou pauta para “apurar” o que andava ocorrendo com a construção da ferrovia à época (isso quer dizer, entre outras coisas, que o rolo vem de longe).

Com a minha já conhecida boa educação disse que não “faria a matéria porra nenhuma”; que eu morava em Manaus a centenas de quilômetros da ferrovia; que se o jornal quisesse uma boa matéria a respeito que passasse a pauta para o correspondente de Belém ou, o mais sensato, para a sucursal do jornal em Brasília.

Tinha cá eu minhas razões, pois o jornal paulista costumava (acho que ainda costuma) tratar os correspondentes no interior do Brasil como escravinhos, que devem procurar arcar com os custos de viagens de forma a não onerar os cofres do jornal.

Sem lição

Não foi apenas esse um dos motivos de atrito com o jornal paulista, mas deixo outras histórias de lado, pois algumas delas já contei por aqui, e, de qualquer forma, isso ficaria parecendo cabotinagem de minha parte.

E também não interessa dar lição de comportamento aos jornalistas que trabalham na grande imprensa e, especialmente, aos jovens que “estão chegando agora”.

Mas “se é para o bem de todos e felicidade geral dos ledores de notícias, estou pronto! Digam ao chefe que eu me recuso a cumprir a pauta(1).

Um pouco de rebeldia não faz mal a ninguém, e pode até, como reflexo, melhorar um bocado a qualidade do jornalismo que se pratica nesta Grande Terra de Tupã.

(1) A frase, no original, é: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico“.

Ela foi proferida em 9 de janeiro de 1822, o Dia do Fico, por D. Pedro 1º em resposta às ordens das Cortes Portuguesas que exigiam sua volta a Lisboa.

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