Cuidado! Jornalismo é perigoso e pode levar à morte cerebral

A imprensa
Crédito da ilustração: http://www.substantivoplural.com.br

Reza a lenda que o jornalismo, tal qual o conhecemos, nasceu, na prática, na França, logo após a invenção de Gutemberg, ainda no século 16, como um mecanismo/uma estratégia de achaque e coerção.

Bem… lendas são lendas, e somos livres para acreditar ou desacreditar nelas/delas.

O meio e seus profissionais já podem ter gozado de melhores dias, quando foram apontados como o “quarto poder” na lógica republicana (essa dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário).

Os bons (e mais ou menos recentes) exemplos desse poderio nos vieram doutro lado do Atlântico (deste lado de cá), nos EUA, com o engajamento da imprensa nos esforços pelo fim da guerra do Vietnam (1955-1975) e no rumoroso caso Watergate (década de 70).

Mas não nos percamos apenas em histórias alheias e lembremo-nos do papel crucial da mídia nas campanhas pela abolição da escravatura (no século 19) e pelo fim da ditadura militar (1964-1985).

OK! Não nos esqueçamos, também e porém, que a mídia igualmente esteve umbilicalmente ligada aos golpistas que derrubaram Jango e, por consequência, deu sustança por um bom período ao arbítrio de caserna nesta Grande Terra de Tupã.

Talvez valesse, neste caso brasileiro, a velha história: “se arrependimento matasse…”.

Sub mundo

Tenha ou não nascido com um pedigree puro ou contaminado, é fácil perceber que os meios e seus profissionais costumam andar por mundos obscuros, uma espécie de sub mundo do poder.

Que não nos deixem mentir (sozinhos, pelo menos) as agências de notícias e os seus “correspondentes”, mais afeitos a produzir informações para quem tem poder e menos afeitos a produzir informações para quem precisa ou delas necessita, quer dizer, o povo em geral.

Punk!

Talvez não por acaso, a profissão (jornalismo) esteja entre as três mais estressantes da atualidade.

Não sei ao certo quem faz essas listinhas dos “mais, mais” e nem sei que intenções e interesses dão sustentação a esse tipo de coisa.

Mas é fácil perceber que o profissional (de jornalismo) é uma pessoa (quase sempre) assustada e neurótica.

Talvez isso seja fruto do pouco dinheiro que ganha e da pressa que é obrigado a ter em apurar e escrever/relatar (talvez em servir também – não posso responder por todos).

Ranking

Ainda no campo das listinhas dos “mais, mais”, a Federação Internacional de Jornalistas (FIP), com sede em Bruxelas, divulgou, recente, o número da violência contra os profissionais de imprensa (números de 2014) dando conta que foram mortos no período: Iraque (309), Filipinas (146), México (120), Paquistão (115), Rússia (109), Argélia (106), Índia (95), Somália (75), Síria (67) e Brasil (62).

É também da FIP outra informação relevante: 112 jornalistas (foram) assassinados em 2015; Brasil e México lideram nas Américas.

Climão

Seja por sua (suposta) origem bastarda, seja pela (suposta) continuidade delituosa, há que se notar existir um desconforto e uma desconfiança com relação tanto aos meios, quanto aos profissionais.

Com razão ou sem nenhuma, esta é uma percepção (um comportamento) que vem desde sempre, e nos leva (a população e os poderosos) as escaramuças muito próximas ao que se vê entre torcedores de futebol (mas não só entre eles) no Brasil e alhures.

Talvez a sabedoria rústica de meu pai, um fanático torcedor do São Paulo Futebol Clube, clareie bem essa reação irracional à prática jornalística: “os jornalistas (paulistas) são todos corintianos e palmeirenses”, costuma, até hoje, acusar.

São os tempos agudos e críticos que costumam revelar o caráter da pessoa e fazer emergir ou submergir (tanto faz) os seus sentimentos mais mesquinhos e as suas percepções mais canhestras, como se vê, neste momento, nesta Grande Terra de Tupã, por conta dos inúmeros escândalos que levam a pique empresários, ideologias, partidos políticos, políticos profissionais, líderes de massa, modelos de governo e o próprio Estado – esta âncora da qual não conseguimos nos livrar dada nossa incompetência e pequenez existencial.

Algumas sugestões de leitura

ABRAMO, Cláudio. A Regra do Jogo, São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

ABREU, Alzira Alves de. A Modernização da Imprensa (1970-2000). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

ALTMAN, Fábio (org.). A Arte da Entrevista, São Paulo: Scritta, 1995.

AMOROSO LIMA, Alceu. O Jornalismo como Gênero Literário, São Paulo: Edusp, 1990.

AUBENAS, Florence & BENASAYAG, Miguel. La Fabrication de L’Information: les journalistes et l’idéologie de la communication, Paris: La Découverte, ano?.

BADARÓ, Líbero. Liberdade de Imprensa, São Paulo: Parma, 1981.

BALZAC, Honoré de. Os Jornalistas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.

BELLANGER, Claude (org.). Histoire Générale de la Presse Française. Paris: PUF, 1969.

BOND, Fraser. Introdução ao jornalismo, Rio de Janeiro: Agir, 1962.

BONNER, William. “Jornal Nacional. Modo de fazer” , Rio de Janeiro, 2009.

BUCCI, Eugênio. O peixe morre pela boca, São Paulo: Scritta, 1993.

CAPOTE, Truman. A Sangue Frio, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1966.

COIMBRA, Oswaldo. O Texto da Reportagem Impressa, São Paulo: Ática, 1993.

DARNTON, R. e ROCHE, D. (org.). Revolução Impressa – a imprensa na França 1775-1800. São Paulo: Edusp, 1996.

DIMENSTEIN, Gilberto, e KOTSCHO, Ricardo. A Aventura da Reportagem, São Paulo: Summus.

DINES, Alberto. O Papel do Jornal, São Paulo: Summus, 1986.

FUSER, Igor. A Arte da Reportagem, São Paulo: Scritta, 1996.

GARGUREVICH, Juan. Historia de la Prensa Peruana (1594-1990). Lima: La Voz, 1991.

GÓIS, Veruska Sayonara de. Direito à informação jornalística. São Paulo: Intermeios, 2012.

KOTSCHO, Ricardo. A Prática da Reportagem, São Paulo: Ática, 1986.

LAGE, Nilson. A reportagem – Teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística, Rio de Janeiro: Record, 2001.

LAGE, Nilson. Estrutura da notícia, São Paulo: Ática, 1985.

LUSTOSA, Elcias. O texto da notícia, Brasília: UnB, 1996.

MARX, Karl. A Liberdade da Imprensa, Porto Alegre: L&PM, 1980.

MATTELART, Armand. Comunicação-Mundo: história das técnicas e das estratégias. Petrópolis: Vozes, 1994.

MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda, São Paulo: Alfa-Ômega, 1978.

MELO, José Marques de. Normas de Redação de Cinco Jornais Brasileiros, 1972, USP.

RODRIGUES, Marcus Vinicius. O Papel do Web Jornal, Porto Alegre: EdiPUC-RS.

RUFFIN, François. Les Petits Soldats du Journalisme, Paris: Les Arènes, ano?.

SODRÉ, Muniz e FERRARI, Maria Helena. Técnica de Redação: o texto no jornalismo impresso, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.

SODRÉ, Muniz e FERRARI, Maria Helena. Técnica de Reportagem: notas sobre a narrativa jornalística, São Paulo: Summus, 1986.

(OBS. Sugestões tiradas da Wikipédia)

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