A malandragem da “pesquisa” Vox Populi que dá pau no juiz Moro

Ehomoro
Crédito da foto: veja.abril.com.br

“Pesquisa” que está sendo feita pelo Instituto Vox Populi bomba junto aos petistas nas redes sociais, já que indica um número superior a 60% entre aqueles que condenam o juiz Moro pela condução coercitiva de Luiz Inácio, na última sexta-feira, para depor na Polícia Federal, em São Paulo.

Até por já ter trabalhado com pesquisas por uma década e conhecer a Vox Populi tenho a dizer que a empresa pesquisadora é séria e um bocado competente.

Mas não podemos perder de vista dois fatos importantes:

– o calor da hora – esse perrengue todo que envolve a política nacional, e

– a Vox Populi trabalha para o Partido dos Trabalhadores (PT).

Dito isso vamos aos considerandos que interessam.

A pesquisa da Vox Populi não é propriamente uma pesquisa, mas uma enquete aberta no Facebook e em outras redes sociais à participação de qualquer pessoa, sem qualquer filtro técnico.

Embora os dicionários registrem enquete como pesquisa, há diferenças entre elas que são fundamentais para o entendimento da questão.

Vejamos:

Nas pesquisas, um dos “cuidados é o da escolha de um universo de entrevistados representativo do total da população. Para isso é necessário que extratos e faixas, como o sexo dos entrevistados, a idade e a renda, sejam contemplados. No caso do sexo, o total de mulheres entrevistadas deve representar 53% do total de pessoas entrevistadas, já que as mulheres equivalem a 53% da população brasileira.” (http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2010/03/29/entenda-a-diferenca-entre-pesquisa-e-enquete)

“As entrevistas são feitas por telefone e os números são sorteados numa base de dados nacional. As entrevistas são gravadas, de modo que 20% delas possam ser auditadas. Evitam-se assim (…) equívocos ou fraudes capazes de distorcer os resultados.” (ibidem)

“Quanto ao universo dos entrevistados o número” é obtido “por meio do contato com homens e mulheres com 16 anos ou mais, de diversas faixas de renda e regiões (…).” (ibidem)

“(…) Para esse universo, o mais seguro, do ponto de vista técnico, é estabelecer uma margem de erro de 3% e um grau de confiança de 95%. Ou seja, se a mesma pesquisa for realizada cem vezes, em 95 vezes os resultados, por quesito, irão variar 3% para mais ou para menos.” (idem)

“A enquete é uma sondagem com pouco rigor metodológico, já que não há segmentação dos entrevistados, segundo faixas da população, e a média das opiniões reflete o parecer somente daqueles que responderam as questões.” (ibidem)

Consulta aberta

Diferente as pesquisas (que obedecem a critérios técnicos) a enquete em questão está aberta para ser acessada, independente da hora e da representatividade de gênero, escolaridade, renda, região etc.

Por óbvio fica fácil perceber e identificar que a sondagem é refém das recorrências: uma mesma pessoa pode acessar os formulários mais de uma vez (mesmo que com identificações distintas) e grupos organizados podem (e fazem isso) se organizar para dela participar, distorcendo o “resultado final”.

Isso desqualifica a sondagem, posto que ela possa ser objeto de manipulação pelo acesso maciço por grupos de pessoas (como parece ser o caso) interessadas no assunto da sondagem e nas suas variantes específicas.

A distorção, no entanto, não impediu que blogueiros ligados ao PT já postassem uma miríade de textos (de pronto reproduzidos nas redes sociais) festejando a suposta derrota de Moro junto à opinião pública, depois de sua suposta decisão arbitrária contra o líder trabalhista.

Assim como a inteligência, a honestidade não é coisa que se compre em supermercado ou num shopping center qualquer.

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