PROTESTOS PELO BRASIL: será preciso mais que 2 aviões mineiros para apagar o incêndio

A posse
Crédito da foto: ultimosegundo.ig.com.br

No verão 2009/2010, o Parque Nacional de Brasília registrou um dos maiores (senão o maior) incêndio de sua história.

Foram longos dias de agonia para a natureza, para os brigadistas e para quem morava nas cercanias (como era, na época, o caso de minha família), obrigado a respirar a fumaça que invadia as casas.

Despreparado (parece que a coisa agora melhorou) o governo do DF apelou para Minas Gerais, na época governada pelo senador Aécio Neves (PSDB), que para cá enviou dois aviões (amarelos), daquele tipo que recolhe água em voo e a joga sobre a área incendiada.

Foram dois ou três dias de trabalhos intensos entre o Lago Paranoá e o parque, até que o sinistro fosse quase todo debelado.

O resto do trabalho ficou por conta de brigadistas e voluntários.

Incêndio nacional

A inabilidade desafiadora e provocativa da presidente Dilma Rousseff, ao convidar o ex-presidente Lula para assumir um de seus ministérios (o da casa civil), açulou a ira daqueles que a querem depor da presidência e pretendem ver Luiz Inácio na cadeia e, ainda, a extinção do Partido dos Trabalhadores, o PT.

O Brasil, que já protestava, explodiu em indignação.

Por aqui (e pelas redes sociais) se disse, na oportunidade, que o ato impensado e desafiador da presidente da república iria abrir a porteira e provocar/permitir um estouro da boiada, e que, estourada a boiada não haveria mais como controlá-la.

Dito e feito!

O país está convulsionado, as manifestações se espalham por praças, ruas, avenidas, cidades grandes, médias e pequenas e ainda pelas estradas nacionais (algumas delas, no Centro-Oeste, por exemplo, ficaram fechadas por horas, ontem).

Na real!

As firulas jurídicas que ora empossam Luiz Inácio, ora o tiram do cargo não importam mais, pois são irrelevantes frente ao urro das ruas.

Após perderem a batalha da comunicação, as esquerdas (e especialmente o PT) perderam o domínio da rua.

Há, registre-se, gente em vigília permanente, especialmente em São Paulo e Brasília, coisa que pode se alastrar até que a presidente seja apeada do cargo.

A imagem que mais se usa é que o governo está cercado e/ou sitiado pelos manifestantes.

Sinto discordar. A insatisfação apresenta-se inclusive no interior do Palácio do Planalto, como se viu na assinatura de posse de Luiz Inácio, quando um deputado federal protestou e foi prontamente agredido por uma ativista do PT vestidinha de vermelho.

A pergunta que cabe aqui é: o que estava fazendo a ativista na cerimônia? Quem a convidou e a levou para lá?

Certo ou errado, o nobre pode argumentar que por lá estava por ser parlamentar e que exerceu o seu direito de manifestação, mesmo num lugar impróprio e hostil como aquele.

Mas e a ativista vestidinha de vermelho? Qual é a sua justificativa?

Saída

Há ainda, no entanto, quem veja uma ou até mais de uma saída para a presidente.

Pode até ser. Por aqui sempre se diz que tudo é possível (até aquilo que parece impossível), como, por exemplo, cair um meteorito sobre nossas cabeças daqui a alguns segundos.

A questão é saber se os revoltados que estão nas ruas e nas estradas estarão dispostos a aceitar qualquer saída para a crise, que não seja o apeamento da presidente Dilma Rousseff.

Parece que não!

Confronto e maturidade

As esquerdas prometem para hoje (em todo país?) manifestações “em defesa da democracia e do estado de direito”, quer dizer, de Lula, principalmente, e de Dilma.

Uma observação, antes de prosseguir: não me parece que existam democracias sem estado de direito, assim como não deve existir estado de direito sem democracia.

Mas, enfim, cada um diz a bobagem que acha deva dizer. Faz parte da democracia.

Há quem tema confrontos sérios nesta sexta-feira, inclusive com escorrer de sangue e, quem sabe, cadáveres.

Pois, por aqui, se acha o contrário (como já se registrou várias vezes): os confrontos são ótimos, tiram o país de sua histórica letargia e do mesmismo e fazem o Brasil , finalmente, amadurecer.

Mas seja o que for, uma coisa é certa: vai se precisar bem mais que 2 aviõezinhos amarelinhos mineiros para debelar esse incêndio nacional.

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2 comentários sobre “PROTESTOS PELO BRASIL: será preciso mais que 2 aviões mineiros para apagar o incêndio

  1. Acredito queesse vai ser outro excelente teste para nossas instituições. Se elas conseguirem lidar com a crise e debelar os clamor das ruas, o que não necessariamente significa deixar todo mundo feliz, acredito que a democracia pode até sair fortalecida. No mensalão, entre mortos e feridos, eles aguentaram o tranco. A questão é se vão dar conta do recado ou se vamos cair na esparrela do salvador da pátria, redentora e cia de novo.

    Mas é preciso lembra que na Itália pós operação mãos limpas o status quo corrupto se adaptou, impediu quaisquer reformas legislativas que garantissem mais transparência e o resultado foi a ascensão de um certo Berlusconi. Por coincidência, na hora que as delações da Lava-jato atingem um dos morubixabas do PSDB e surgem as gravações de Lula e Dilma começam a pular tímidos textos nos jornais questionando se o Moro não passou do ponto. O The Economist levantou essa bola com todas as letras. Me pergunto se o fim da Lava Jato já não está sendo gestado. E quem seria o nosso Berlusconi? Será que o João Dória Jr. engoliria o Alkmin?

    Li um artigo um tanto sombrio mostrou uns gráficos bonitinhos sobre a situação via redes sociais (tem até um ying-yang) comentando sobre o surgimento de uma grande massa apolítica na rede. Achei um tanto tenebroso, mas concordei com ele de que a solução está nas instituições.
    http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2016/03/18/solucao-para-a-crise-esta-no-interior-das-instituicoes-politicas.htm

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