O juiz Moro passou do ponto?

Ehomoro
Crédito da foto: veja.abril.com.br

O juiz federal Sérgio Moro está sob fogo, mas esse fogo não vem apenas das esquerdas, mas, igualmente, de boa parte dos legalistas.

É interessante essa contradição na troca de tiros entre legalistas e o legalista paranaense e sua trupe.

De parte das esquerdas é visível a insatisfação com a condução pelo juiz paranaense da Operação Lava Jato.

Da parte dos (outros) legalistas a reação é mais obscura.

Quem sabe tenha um pouco de militância política e ideológica, mas, igualmente (não se pode descartar isso) uma certa inveja, um certo ciúme da atuação de Moro e de sua trupe.

Mas também não deve ser descartada uma certa pureza d’alma de legalistas pios.

Há um tremendo esforço, neste momento, por essas partes todas anti-Moro, de criminalizar o juiz paranaense e afastá-lo de suas funções.

Esforço tosco, posto não ser cabível nada disso, e, ainda porque, Moro tem respaldo e apoio do STF, do Conselho Nacional de Justiça e do MPF.

É como atirar em fantasmas numa noite escura.

Não vai dar em nada.

Paralelismo

A precipitação estúpida dos anti-petistas em transformar Moro num super herói da moralidade (alheia, diga-se) e em lançá-lo candidato à presidência da república, repete a mesma patacoada da qual foi vítima o ex-ministro Joaquim Barbosa do STF.

A divagação desviante dos anti petistas fez com que petistas e esquerdistas em geral caíssem feito patinhos na balela (proposital?).

De nada adiantou, mil vezes, Joaquim Barbosa dizer que não era candidato a coisa alguma e que houvera votado no PT várias vezes (incluindo-se aí votar em Lula e em Dilma).

O estrago já estava feito e revelou a plena desonestidade intelectual dos anti-petistas e a inépcia nos corações e nas mentes do pró-petismo.

Mas como estamos nesta Grande Terra de Tupã, plena de gente de minguada ou de nenhuma capacidade de raciocínio e de reflexão e de honestidade, nada disso, portanto, é uma surpresa.

A saber

O que tem de se saber, no caso, é se as ações da Lava Jato (que têm levado magotes de empresários e políticos à investigação e à prisão) se constituem num ilícito ou pelo menos num desvio.

E aí surge uma nova contradição.

Magotes de gentes que vocifera diuturnamente contra a corrupção (dos outros, diga-se) torce o nariz para a atuação do juiz Moro e de sua trupe.

Mas, enfim, o que querem essas gentes todas?

Aparenta que manter uma posição às duras penas conquistadas e dela não abrir mais mão.

O ressabio e a insatisfação com Moro e sua trupe cresceu enormemente com a sua autorização para a condução coercitiva de Luiz Inácio à Polícia Federal e piorou com a divulgação dos áudios grampeados, áudios, diga-se, todos eles envolvendo o ex-presidente da república.

Portanto, por aqui, chegamos a uma constatação retilínea e clara: o problema é apenas um – Lula e o seu cerco.

Pulveriza-se, assim, o discurso da defesa do Estado Democrático de Direito (uma contradição em si) e do governo de Dilma Rousseff.

Eis que temos um norte anti-Moro que não são a Democracia e a Dilma, mas sim o futuro e a sobrevivência do animal político Luiz Inácio.

Tecnicidades

Pode-se, e deve-se, discutir se tanto a coerção quanto os vazamentos são tecnicamente corretos e legalmente legais (não, não me desculpo pela redundância).

Aparenta que não. Moro, tão cioso das firulas jurídicas e legais, dificilmente cometeria erros tão bárbaros como esses apontados.

Resta-lhe, porém (e parece que sim), a soberba de quem ouve mais o próprio coração e apenas os aplausos ensandecidos das ruas.

Isso é um perigo e pode botar a pique todo o trabalho.

Comparações

Tem-se comparado (de um lado e de outro; entre os satisfeitos e os insatisfeitos) a atuação de Moro e de sua trupe com o caso norte-americano Watergate e o italiano Mãos Limpas.

Há quem diga, em meio a esse tiroteio todo, que se ambos os casos resolveram questões pontuais, também trouxeram mais problemas às instituições públicas, à economia, à sociedade e à moralidade de ambos os países.

Pode até ser, como pode ser que esse resultado não desejado se repita no Brasil, no pós-Lava Jato.

Mas aí entramos por outro caminho: a participação (exigente) da população nos destinos daquilo que se chama de nação.

Não basta apenas cobrar “morais” dos outros (especialmente dos adversários e inimigos), como não bastam os panelaços, os apitaços, as passeatas e muito menos as indignações desabridas e sectárias expostas nas redes sociais.

É necessário estar atento.

É necessário exigir um Estado democrático e uma administração pública participativa e transparente.

Mas quem está disposto a seguir nessa viagem, é a pergunta que se deixa por aqui.

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