Modelo madame-ostentação é a ideologia do novorriquismo brasileiro

Novorrico
Crédito da ilustração: fernandonogueiracosta.wordpress.com

O capo da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), gastou, em Paris, e em apenas 3 dias, 64 mil reais para dar um banho de loja em madame Cláudia Cruz, jornalista e esposa.

O juiz Nicolau dos Santos Neto mandava comprar apenas copos de cristais para o seu apê de Miami, onde gastava os seus dividendos conseguidos com o escândalo do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Uma pessoa que conheço, e que não pode ser reconhecida pela lisura no trato com o dinheiro da instituição à qual servia, ia amiude ao exterior, de onde trazia toda sorte de badulaques para expor aos seus amigos pobres e pouco viajados.

O ostentatório dessa gente é inversamente proporcional à sua honestidade e à sua discrição.

Se fôssemos alinhavar por aqui todos os exemplos, gastaríamos terabyte e mais terabyte de espaços na web.

Trata-se, como se vê, de bandidos amadores, pouco acostumados à malandragem do mundo do crime.

Uma das lógicas da bandidagem é a não ostentação com o fruto daquilo que foi roubado.

Ocorre que criminoso profissional é criminoso profissional, e novo-rico é novo-rico.

A estes caberia o velho adágio popular: “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”.

O não exemplo

O exemplo que essa gente nova rica não segue vem de outros lugares, que não deste País da Jabuticaba.

Por exemplo, das casas reais dos países escandinavos que gastam tempo e dinheiro em projetos sociais e ambientais pelo mundo, como, não por acaso, no Brasil, onde recursos dos nobres são fundamentais para a defesa da Amazônia e de suas gentes primitivas.

Ricos franceses, há muito, trocaram as suas barulhentas soirée por cursos de filosofia e de religião; por visitas a museus e a parques temáticos; por apoio à cultura e à arte das camadas mais pobres da população, especialmente dos migrantes do norte africano e de países de cultura islâmica.

Milionários norte-americanos estão buscando alterar a legislação tributária do próprio país, de sorte que paguem mais impostos, que, por seu lado, seriam destinados aos projetos sociais e à educação.

Exemplos como esses se multiplicam por outros países, mas nada que chegue a ameaçar a “liderança inconteste” do jequismo novo rico desta Grande Terra de Tupã.

Nota

Novo rico (do francês nouveau riche) – indivíduo que enriqueceu recentemente; designação pejorativa que se dá aos indivíduos que enriqueceram há pouco e desconhecem a etiqueta social.

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