E o Partido dos Trabalhadores fez água

POlista
Alteração/Manipulação de foto do site UOL

De Tarso Genro (RS) a Fernando Haddad (SP) – dois dos poucos luminares que sobraram – se defende a refundação do PT, não sem antes reconhecer a sua atual pequenez, ou seja, o seu acabamento.

Muitos não aguentaram esperar e já saíram (num movimento que vem de longe, agudizado pelo atual estágio de desmoronamento do partido).

Outros estão de malas prontas, aguardando apenas o desfecho do impeachment, o que deve ocorrer em não muito tempo.

A listinha daqueles que sonham em fundar um novo partido cresce e já anda por perto de uma centena (só de gente eleita pela população).

Já se deu essa informação por aqui, nos meados do ano passado, para desgosto e desespero de alguns (muitos) militantes-fanáticos.

Da refundação

Os petistas ainda resistem em reconhecer os seus malfeitos praticados nesses anos todos no Planalto (e em outros lugares).

Para refundar precisa-se, antes, reconhecer e expurgar, tal qual fez (sucessivas vezes) o Partido Comunista chinês no pós-Mao.

Há milhas e milhas separando, no entanto, a China do Brasil e o PCc do PT.

Da classe média

A culpa pelo despenhamento do PT recai, por óbvio, na classe média, como já anotou há tempos a professora Marilena Chauí; o que de pronto foi absorvido como mantra pela militância, e agora, também, pelo prefeito paulistano (veja link acima):

A classe média derrubou o governo?
A afirmação é forte para o conjunto de fatores que levou a essa situação. Mas é seguro que um fator importante foi a piora da posição relativa da classe média, que fez surgir uma equação quase impossível de solucionar: ela passou a demandar a melhora dos serviços públicos, para dispensar os privados, sem aumento de tributos.

Mas isso nem mesmo derrotou o governo em eleições.
Enquanto os ricos prosperaram e os pobres foram sócios majoritários do incremento da renda, essa agenda tinha pouca chance de prosperar. Mas vem a crise internacional e o governo adota políticas anticíclicas, à espera de uma melhora do quadro internacional, Que não veio.

Da reação

É fácil seguir Karl Marx nos seus escritos que indicam a classe média como o novo motor de mudanças sociais, tal qual ocorreu com a burguesia pré-empresarial nos inícios do Liberalismo.

Mas também é fácil entender de que fala a professora Marilene Chauí quando debita na conta da classe média um bocado de reacionarismo.

Não se precisa de muitos esforços para perceber o que diz a professora.

Enquanto em países, digamos, mais avançados a classe média (em sua maioria) oscila entre o revolucionário e o liberalismo social e econômico, por aqui a nossa CM ainda prende-se a motes conservadores anti-mulheres, anti-homossexuais, anti-pobres, anti-natureza, anti-conhecimentos ancestrais, anti-democracia e vai por aí.

Para repetir a parte que se salva da entrevista de Haddad à Folha de São Paulo: “Mas é seguro que um fator importante foi a piora da posição relativa da classe média, que fez surgir uma equação quase impossível de solucionar: ela passou a demandar a melhora dos serviços públicos, para dispensar os privados, sem aumento de tributos”.

Da Dilma

Pois acreditem: quem melhor entendeu o enigma foi exatamente a presidente Dilma Rousseff, a comunista, hoje quase apeada do poder, e para quem se necessitava fortalecer a classe média brasileira e arriscar um capitalismo pós-moderno.

O resto, entendia e entende ela, viria como consequência.

Não deu tempo!

Doutro lado estava Luiz Inácio Lula da Silva e sua velha arenga trabalhista-reformista, sempre subalterna ao capital e aos capitalistas.

Deu no que deu!

Não conquistou a classe média e ainda perdeu substanciais parcelas da pobreza.

Quem salva, agora, o PT?

Ninguém! Ou talvez ele mesmo, se tiver tempo e disposição para se reinventar (o que deverá demandar alguns anos).

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