Janaina Paschoal apenas comercializa ideias na Câmara e no Senado

Conta a lenda jornalística que um colunista social saiu mais cedo da redação do jornal para cobrir a inauguração de um cinema em sua cidade, prometendo informações e textos sensacionais para a edição do dia seguinte.

Em menos de uma hora estava de volta à redação para surpresa dos colegas e desesperado para buscar fofocas e futricas para a sua coluna.

Indagado pelo chefe de redação, disse que não tinha nada a escrever sobre a inauguração, pois o cinema pegara fogo.

A função primária do jornalismo é a informação, seja o profissional especializado em sociedade, economia, política, ou seja, lá no que for.

Isso vale para várias profissões, entre elas a de advogado, como é o caso da professora Janaina Paschoal.

Não são poucos os casos de advogados brasileiros que defenderam presos políticos contra o arbítrio do Estado e, anos mais tarde, foram aos tribunais ao lado de bandidos de alto coturno e até em defesa do Estado que antes acusavam.

São as pagas das profissões.

Quem não gosta disso melhor procurar outra coisa que fazer.

Do impeachment

Deixando um pouco de lado as piadinhas que se fazem (eu também faço) com a professora e doutora Janaina Paschoal, há que se procurar entender a sua performance um pouco circense tanto na Câmara dos Deputados, quanto, ontem, no Senado da República.

Lembre-se que juntamente com Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, Paschoal assina o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A única coisa que não gosto na história são das agressões tipo “vaca”, “vagabunda”, “louca”, “está precisando de uma pica” etc. e tal.

Dessa forma, estamos descendo aos porões mais sombrios de nossa mente.

Da história

Essa já contei em outros momentos, mas vale recordá-la.

Há coisa de dez anos foi convidada para uma palestra na instituição para a qual eu trabalhava a jornalista Salete Lemos (muita gente deve conhecê-la), que fora minha colega na escola de jornalismo.

Após vetarmos vários nomes, entre eles o de Miriam Leitão, de O Globo e da TV Globo, nos sobrou Lemos.

Inicialmente fui contra a indicação de seu nome, mas posteriormente desisti, caso contrário ficaríamos sem opção.

Não tem tu, vai tu mesmo.

Não vi a palestra de Salete Lemos, mas me recordo ter sido procurado por diversos colegas de trabalho criticando-a e irritados com a sua “performance” durante a palestra.

O mais ameno que ouvi foi que Salete Lemos parecia mais uma chefe de torcida organizada e menos uma pessoa que entendesse de economia.

Da performance

A face mais profunda da contracultura norte-americana (o movimento hippie), que não se captura, é a rebelião dos jovens de então contra a família e o establishment.

A geração anterior, a dos pais dos “revoltados”, seguia presa à tradição cristã norte-americana e à promessa do Estado de ascensão social, via o selfmade man.

Após lutar na segunda guerra mundial e contra os coreanos, de volta para a casa o que sobrou para esses pais foram empregos subalternos, desde limpadores de chão até vendedores de gravatas e de outras bijuterias.

Foi contra essa sina que a “geração hippie” se rebelou.

Das vendas

É nesse ponto a história que o capitalismo norte-americano chega a seu ápice.

Sem espaço para abarcar todos, a saída foi transformar o excedente em meros vendedores de produtos, bugigangas, sonhos e ilusões.

É nesse momento que nasce a necessidade de “educar” pessoas para as vendas, sejam estas quais forem, como, por exemplo, notícias de economia ou pedidos de impeachment.

O que Salete Lemos e Janaina Paschoal fazem e fizeram nas suas performances foi e é vender ideias, nada mais do que isso.

Compra quem estiver disposto e disponível para comprar.

Mas elas, no mundo capitalista, têm todo o direito de fazer uma coisa dessas.

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