Dilma? Eu não gosto dessa mulher de jeito nenhum

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Sócrates, o filósofo (Σωκράτης) desenvolveu uma estratégia extraordinária para emparedar seus alunos e, dessa forma, induzi-los a pensar por si mesmos.

A estratégia do filósofo ficou conhecida como o “Método Socrático”:

O método socrático consiste em uma técnica de investigação filosófica, que faz uso de perguntas simples e quase ingênuas que têm por objetivo, em primeiro lugar, revelar as contradições presentes na atual forma de pensar do aluno, normalmente baseadas em valores e preconceitos da sociedade, e auxiliá-lo assim a redefinir tais valores, aprendendo a pensar por si mesmo. (wp)”

Quem quiser conhecer um pouco disso tudo é só dar uma boa pesquisada na web que por ela estão fragmentos legados pelo filósofo em obras de dois seus alunos: Platão e Xenofonte.

Não sei se nestes tempos cínicos e calculistas Σωκράτης teria espaço para a suas especulações.

Não dá para dizer nem sim, nem não, mas temo que não, pois boa parte de suas perguntas usadas no “método” soaria hoje como imensamente ingênua.

Das baixezas

Longe deste nobre aqui equiparar-se ao filósofo ateniense, mas que dá para usar um tiquinho que seja de seu método, isso dá.

E talvez a nossa vantagem que se tem por agora é a contemporaneidade do cinismo, coisa que nunca se negou por aqui, muito pelo contrário.

É imensamente prazeroso usar tanto um tiquinho do método socrático quanto o cinismo quando se defronta com amigos e conhecidos, que antes tão ciosos das necessidades de avanços sociais da sociedade brasileira, hoje se põem de público e sem pudor pelo impeachment ou pela cassação da presidente Dilma Rousseff.

A arenga impichista e/ou cassadista inicia-se, sem novidades, com um “Lula ladrão”, um “PT bando de larápios” para desembocar, invariavelmente, em uma “Dilma incompetente e desonesta”.

O destroçamento das partes das teses, destroçamento este paulatino e vagaroso à moda de Sócrates, termina (quase sempre) na recusa da figura feminina na presidência, lugar no qual não cabe nem quem deveria ser bela, recatada e do lar.

Dos preconceitos

Haveria um viés sexista/machista nessa história, como apontam tanto a presidente Dilma Rousseff, quanto as feministas?

Bem provável!

Num país oligarca, como admitir que chegue à presidência da república uma mulher, que, além do pecado de ser mulher, ainda ousou lutar contra a ditadura militar e a ela resistir?

Alguém poderia retrucar, acusando a este nobre de “ouvir estrelas”.

Não as ouço!

Ouço apenas as vozes de amigos e conhecidos que findado e destruído os argumentos que lhes pareciam  consistentes sempre terminam o discurso pregando o defenestramento da presidente por não gostar dessa mulher de jeito nenhum.

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