O vice Michel Temer já vive a sua Marseille tropical

Temer

Após vinte anos de poder o prefeito Robert Taro (Gérard Depardieu) perde o controle da própria sucessão, do conselho da cidade e de seu partido.

Seu principal adversário e desafeto é o seu vice, Lucas Barrès (Benoît Magimel, magnífico na sua canastrice política, um cara fora de forma que teima em praticar, em vão, esportes).

Em meio a crimes, trapaças, traições, jogos de azar e prostituições, Taro descobre que Barrès é seu filho bastardo com uma presidiária e ex-traficante de drogas. Taro é viciado em cocaína.

Dizem que Marseille é cuspida e escarrada a série norte-americana, também da NetFlix, House of Cards.

Não sei dizer, pois apenas vi os cinco primeiros capítulos de Marseille e nenhum de House of Cards.

Tenho uma antipatia profunda por filmes e séries norte-americanas, não por serem norte–americanas, mas por fazerem concessões demais à Moral.

E nem sei se sigo avante com Marseille, pois minha visão, apesar das lentes novas, não me deixa me estender noite adentro defronte a uma tela de computador, no caso, de meu tablet. E tenho uma carrada de livros para ler.

Dos conselhos

Os conselhos municipais funcionam, ou fazem de conta que funcionam, em boa parte do mundo e em quase toda a Europa.

Seguem a lógica da tripartição – sociedade civil, partidos políticos e a burocracia do governo.

Na prática, porém, são dominados por grupos empresariais e pelas máfias locais.

Aos perdedores as batatas.

A Europa é especialista em esconder as suas mazelas, como no caso da Itália que ainda mantem aquelas famílias extensivas, acasalando de três a quatro gerações num mesmo espaço físico, cenário perfeito para a violência contra as (jovens) mulheres… e advinha praticada por quem? Pelos avós!

A cidade portuária francesa é um desembarcadouro de gente fugidia do norte africano e muito especialmente dos países islâmicos.

Essa gente vive em guetos, sob olhares furiosos da população branca e cristã; gente que pouco usufrui do primeiro-mundismo francês, cabendo-lhes apenas o submundo do crime e a violência policial.

Inferno astral

Dizem que o inferno astral inicia-se 30 dias antes da data de nascimento das pessoas.

No caso de Robert Taro iniciou-se há 20 anos, quando colocou sob sua guarda, orientação e domínio Lucas Barrès, o filho bastardo, que não o reconhece e nem o aceita como pai; o trai e quer suplantá-lo na vida e na política.

O de Michel Temer, o vice, quando desenhou a arquitetura da queda de Dilma.

Para vencer em suas respectivas empreitadas, Barrès e Temer se cercaram de todo tipo de vilães/vilões (as duas formas são corretas), traidores e bandidos.

Não sei o que vai acontecer a Barrès, pois, como disse acima, vi apenas os primeiros capítulos de Marseille e nem sei se sigo adiante.

O futuro de Michel Temer, no entanto, já parece bem delineado.

Mesmo que usufrua da cadeira de Dilma a partir do dia 12 de maio, dificilmente por lá fica por muito tempo.

E ainda terá de prestar contas ao enorme grupo de vilões, traidores e bandidos que o cercam e à população nacional que não o quer nem pintado de ouro sentado na cadeira da presidência da república.

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