Brasil, um país à mercê da barbárie, da violência e da ignorância

Barbarie
Crédito: noblat.oglobo.globo.com

Recente estudo (divulgado em março deste ano) do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa mais sobre isso pode ser lido aqui nesta matéria do UOL Educação – indica que apenas “8% dos brasileiros adultos são considerados completamente capazes de entender e se expressar utilizando números e letras” (veja também em Qual é o papel do escritor em um país onde 92% das pessoas não leem bem?).

São números humilhantes e remetem à ideia de que o país está estupidificado, quer dizer, embrutecido e bestializado.

Das similaridades

Há quem diga, no entanto, e em defesa dos brasileiros, não ser este um fenômeno exclusivo desta Grande Terra de Tupã.

Pouco antes de morrer, o escritor português José Saramago disse que a humanidade “está indo rumo ao grunhido

No livro The Dumbest Generation (A geração mais estúpida), Mark Bauerlein afirma que “a era digital embasbaca os jovens americanos e põe em risco o futuro”.

Em história já citada em outros textos deste blog, recupero as imagens que uma amiga trouxe dos Estados Unidos quando o visitou (a convite) ainda na década de 80 do século passado.

Ficou por lá cerca de 40 dias e estarreceu-se com a extraordinária incompreensão do norte-americano a respeito das ideias, do exterior, da cultura, de outros povos etc. e tal.

Essa sua auscultação quase lhe valeu uma expulsão do país, considerado “a maior” democracia do mundo e referência para muita gente que vive abaixo da linha do Equador.

Dos maneirismos

Gente que se classifica naturalmente nesse pomposo 92% não se dá por encontrada, achando que, muito pelo contrário, faz parte do outro naco, este, os 8%.

Uma prospecção ligeira e rasa, porém, mostra que esses aderentes à força e por vontade própria:

– não leem;

– não conhecem leis;

– ignoram usos e costumes de outros povos e de outras gentes;

– pouco vão ao teatro e ao cinema;

– não conseguem contextualizar fatos e acontecimentos;

– negam validade aos direitos de grupos minoritários;

– não entendem que o presente é resultado do passado, assim como o futuro será resultado do presente (e do passado).

Das naturalizações

Há quem diga, igualmente, que tudo isso é uma repetência do passado (no nosso caso, escravocrata e colonialista).

Trata-se de uma naturalização, que não considera os mais de 500 anos de Brasil, período suficiente para um avanço nas relações humanas e para um distanciamento das práticas sociais aqui impostas pelos descobridores/invasores ainda no início do século 16.

Das inconsequências

As naturalizações remetem, por consequências, à necessidade de manter-se um mundo pronto e acabado, mesmo que injusto e desumano.

Não há nada para mudar, mas, apenas, algumas práticas a serem reformadas, desde, por óbvio, que essas reformas sejam de nosso agrado e gosto.

Não se necessitaria por aqui elencar a enorme série de absurdos que se registram no país diariamente. A listagem seria descomunal e não caberia neste espaço.

Nos basta lembrar (em lembranças mais recentes, deixando-se, portanto, de lado a longa escravidão e a preação e morte de índios) o amarrar de jovens em postes, a guerra fratricida entre esquerdistas e direitistas nas mídias sociais e nas ruas, o linchamento de uma mulher tida como bruxa no litoral paulista, as agressões a políticos e servidores públicos em bares, restaurantes e aviões e, bastante recente, a detenção de mulheres (quase todas negras) a bordo de um avião, reação às suas manifestações em defesa da presidente da república.

Se uma pessoa não consegue lincar esses exemplos genéricos, rápidos e rasteiros com o que aponta a pesquisa do Instituto Paulo Montenegro sinto muito, mas há quase nada que se fazer para livrá-la da ignorância, da obtusidade, da barbárie, enfim, da permanência no grupos dos 92%.

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