Guia prático para procurar emprego neste futuro que se avizinha

Pensador
Pensador de Rodin – Reprodução

Eu nunca procurei emprego na minha vida.

Sério… pode parecer contação de vantagens, mas é real mesmo.

Ou eu era convidado, ou era indicado.

Só teve uma exceção. Minha mãe, enjoada da minha vagabundagem, exigiu que eu me inscrevesse para um teste de seleção de um banco (que não existe mais).

Resultado: fui o primeiro colocado, assumi a vaga e amarguei seis anos de uma vida insossa e improdutiva.

Nunca mais a perdoei por essa intolerância.

Mas teve outra, quando eu ainda era uma criança de 9 anos.

Meu pai comprou uma banca de jornal, mas não tinha tempo para cuidar dela.

Sobrou pra quem? Pra mim! Mas, convenhamos, não era um emprego. Era trabalho forçado.

Mas era divertido. Esse trabalho se enquadra perfeitamente no Ócio criativo do qual fala o sociólogo italiano Domenico De Masi.

A rigor eu não fazia coisa alguma, a não ser conhecer gente, me divertir e gastar o dinheiro apurado em sorvetes (adorava o picolé de uva da Kibon) e sanduiches de queijo com presunto.

“E agora, José”

Sem querer ser engraçadinho, cruel e provocador, enfim, sem querer ser sádico ou um sociopata, como já me classificaram algumas pessoas, estou deveras preocupado com o que vai ocorrer com alguns milhares de “contratados” pelo serviço público federal (alguns deles amigos) neste pós-Dilma Rousseff.

Dizem que essa gente se soma aos milhares: 10, 20 e até 30 mil.

Não me parece que seja tudo isso. O governo interino fala de “dispensar os préstimos” de uns 2 mil.

Você há de convir que nesses 2 mil não estejam incluídos pemedebistas e gente ligada aos partidos que dão sustentação ao interinato capenga do Michel, o vice.

Mas é aí que a porca torce o rabo: “e agora, José?”.

Procurar emprego, mas, antes, montar um bom currículo.

Mas eis que surge um primeiro problema: como esconder esses 13 anos e meio de bons serviços prestados ao governo antigo?

Você sabe muito bem que qualquer deslize no curriculum vitae pode lhe custar o futuro emprego.

Curriculum vitae

Para evitar essa ameaça tenho uma dica infalível: deixe essa longa passagem em branco.

Você há de perguntar: “mas se perguntarem o que fiz nesse tempo todo?

Fácil! Invente uma história, por exemplo,

– diga que estava tentando escalar o monte Everest de costas (há fotos aos milhares na web para você provar a façanha);

– cite uma ong (tailandesa, por exemplo) para informar que você estava na África salvando rinocerontes e elefantes;

– prove que você navegava pelo Pacífico (arrume uma foto de um barco qualquer) recolhendo aqueles monturos de plástico que boiam por lá;

Atenção: só não vá dizer que era voluntário do governo chinês para reparar o Muro da China ou do governo cubano para ajudar no corte da cana-de-açúcar.

Isso não vai dar certo!

Absorveu? Captou?

Então sebo nas canelas que o tempo urge.

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