Feminismo e classe média estão destruindo o governo golpista de Michel Temer

Aqueima
Crédito da foto: ego.globo.com

Exagero meu? NÃO! Dê uma entradinha na área de comentários da mídia corporativa quando o assunto for a montagem do ministério temerista e as escolhas do interino para a área da cultura.

Esqueça as redes sociais. Seu grupo de amigos e/ou seguidores pensa como você: ou está de um lado ou está de outro com o mesmo discurso monocórdio (quer dizer, pensando e falando a mesma coisa, em efeito manada).

A área de comentários da mídia corporativa é mais democrática. Cada uma/um fala (escreve) o que lhe vem à cabeça.

Com um mínimo de atenção é possível perceber imediatamente dois fenômenos:

– a maioria dos comentários críticos, irônicos e malcriados, até há coisa de um mês dirigidos contra a presidente Dilma Rousseff, agora se volta contra o interino do Palácio do Planalto;

– os poucos pró-queda da presidente que ainda resistem nesses espaços, além de minoria, estão encurralados.

Quer exemplos? Vá à área de comentário da matéria Temer recua e admite possibilidade de nomear homem para chefiar Cultura (Folha de São Paulo) e dê uma olhada.

Das exceções

Numa sondagem rápida, pouco precisa, mas atenta, já é possível dizer que a maioria dos comentários em defesa de Temer sai daquelas empresas adrede contratadas para fazer isso mesmo: gerar o maior número de postagens pró ou contra alguma coisa.

Ou seja, aquele espontaneismo que se via antes contra a Dilma e contra “tudo isso que está aí” perdeu-se.

Das classes sociais

Antes de voltar ao feminismo (majoritariamente de classe média) e de sua ação deletéria ao governo interino é necessário notar outro fenômeno.

A maioria absoluta daqueles que comentam nos espaços da mídia é formada por gente de classe média, mais acostumada e com maior possibilidade de acessar e de acompanhar o jornalismo feito por profissionais de imprensa.

Isso pode soar como uma heresia aos militantes sociais, mas é exatamente isso mesmo que acontece. A militância está, no mais das vezes, presa ao círculo vicioso das redes sociais, onde pode se manter à salvo junto com os seus.

Das manifestações

De classe MéRdia a golpistas contra o governo petista, a democracia e o Estado de Direito, a classe média é a atriz principal das manifestações que tomaram o país desde junho de 2013.

O fenômeno não apenas derrubou a presidente, destruiu o PT e escorraçou a esquerda das ruas, como, agora, se volta contra o governo interino.

O interinato temerista já tem destino traçado.

Do feminismo

AMarcela

Numa leitura rápida e superficial, pode-se dizer que o perfil machista do governo interino (somado aos cortes na área social e à ameaça de alongamento da crise econômica) é pano de fundo da reação ao GOLPE.

É certo dizer isso, especialmente pensando na recusa de quatro mulheres em assumirem a pasta da Cultura do interino.

Mas se formos mais atentos vamos perceber que mais do que uma ponte para o futuro, mais do que uma bandeira com escudo da ditadura, mais do que o surrupiamento de uma frase de efeito (“não fale em crise, trabalhe”), a sombra que escurece o interino é o de uma jovem “bela, recatada e do lar” (bajulação ridícula e patética forjada pela revista Veja).

Marcela Temer é tudo aquilo que nenhuma feminista defende ser – isso desde a queima de sutiãs, nos anos 60 do século passado, até as manifestações pelas ruas e avenidas brasileiras.

Alguém já reparou que a maioria daqueles que protestam é formada por mulheres?

Das preocupações

A manutenção dos protestos, da batição de panelas, dos apitaços e dos buzinaços e das vaias e apupos em aeroportos (agora com sinal trocado) leva a uma preocupação urgente: como conciliar a insatisfação da classe média com a reação dos grupos sociais de esquerda?

Trata-se de um bom enigma.

A classe média vai aceitar ficar lado a lado com a militância esquerdista que tanto despreza?

A militância de esquerda vai aceitar ficar lado a lado com a classe média que tanto odeia?

Se não se resolver essa equação é muito provável que o interino segure-se no cargo e tenha chances de chegar a 31 de dezembro de 2018 ainda no Palácio do Planalto.

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