2013 ainda não terminou e já sufoca governo interino de Temer

Ocupa
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O jornalista Zuenir Ventura escreveu, ainda em fins do século passado, o livro “1968: o Ano Que não Terminou”.

A “obra” virou best-seller instantâneo e cult entre aquelas pessoas que o filósofo Luiz Felipe Pondé chama de “inteligentinhas”.

À época a que se refere o livro chamávamos os “inteligentinhos” de porra-loca, gente sempre pronta a fazer revoluções mil pelo Brasil em mesas de bar e vernissages, e hoje, nas redes sociais e nos encontros dos compas em sindicatos e diretórios partidários.

1968: o Ano Que não Terminou” é uma “obra” provinciana que tenta se amenizar fazendo um paralelo com os acontecimentos que incendiaram Paris, no Maio de 68 e com o histórico baile da ilha fiscal, em 1889, ao final da monarquia.

“1968”, os porra-loca e os “inteligentinhos” se esgotam na falta de visão e no desconhecimento dos movimentos sociais brasileiros, do protagonismo popular e da insatisfação das ruas.

De 2013

As ocupações das escolas em vários estados brasileiros são o filho mais legítimo das manifestações de Junho de 2013.” (Pablo Ortellado em entrevista concedida à IHU On-Line)

Os secundaristas estão trabalhando este duplo legado: seguem criticando o sistema de representação, e não estão fazendo isso por meio da ação de partidos políticos, mas por meio da luta direta, sem intermediação de partidos; e, ao mesmo tempo, estão defendendo essa pauta de ampliação, consolidação e defesa dos direitos sociais.” (ib.)

As manifestações de julho de 2013, em São Paulo, contra o aumento de 20 centavos na tarifa do transporte público, foram seguidas por uma repressão brutal da PM, sob o governo do tucano Geraldo Alckmin, e se espalharam pelo país e levaram à série de manifestações e confrontos que colocaram a pique o governo de Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores e as políticas sociais do lulo-petismo.

Antes mesmo que a presidente fosse afastada (temporariamente) do Palácio do Planalto eclodiram, também em São Paulo, e sob a mesma governadoria tucana, as ocupações das escolas públicas, que, igualmente, estão se espalhando pelo país.

Se o governo federal (da época) fez pouco caso das manifestações de 2013, é bom que o governo interino (bom para ele, óbvio) não o faça, assim como não devem fazer os governos estaduais e os municipais.

Das miopias

Mas parece que o interinato irá repetir o erro de Dilma e com uma agravante, trazida das experiências tucanas paulistas: o seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já disse que ocupação de escolas é coisa de “terrorista”.

Na secretaria de segurança (sic) pública de São Paulo, Moraes já deu uma prévia de seu jeito meigo e delicado de ser: invadiu escolas ocupadas por estudantes ao arrepio da lei e das garantias constitucionais.

Talvez seja isso que o governo interino queira dizer com o seu sloganordem e progresso”.

Das conexões

No final de um dos textos de ontem deste blog – Feminismo e classe média estão destruindo o governo golpista de Michel Temer – dizíamos que:

A manutenção dos protestos, da batição de panelas, dos apitaços e dos buzinaços e das vaias e apupos em aeroportos (agora com sinal trocado) leva a uma preocupação urgente: como conciliar a insatisfação da classe média com a reação dos grupos sociais de esquerda?

Trata-se de um bom enigma.

A classe média vai aceitar ficar lado a lado com a militância esquerdista que tanto despreza?

A militância de esquerda vai aceitar ficar lado a lado com a classe média que tanto odeia?

Se não se resolver essa equação é muito provável que o interino segure-se no cargo e tenha chances de chegar a 31 de dezembro de 2018 ainda no Palácio do Planalto.

A questão se mantém, acrescida agora com a lembrança dos movimentos juvenis-estudantis de ocupação de escolas públicas.

O que se põe, portanto, mais uma vez, é que papel terão as esquerdas partidarizadas nessa jornada: embarcam nessa luta ou ainda (e mais uma vez) vão se esconder no mesmo porraloquismo dos anos 60 e no inteligentismo destes dias?

Referência

A ocupação de escolas é o filho mais legítimo de Junho de 2013. Entrevista com Pablo Ortellado

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