Conservadores e reacionários não entenderam só uma coisa: não tem mais retorno

Ludmilla
Cantora Ludmilla, vítima de ofensas raciais nas redes sociais. Ela reagiu e está processando o ofensor racista. Foto – http://www.portalsucesso.com.br

A cantora Ludmilla abriu processo contra uma pessoa que já a ofendeu várias vezes pelas redes sociais: “Já não é a primeira vez que você comete esse crime comigo na internet. Agora é questão de honra, eu vou até o final para ver você pagar por isso!” (O Estado de São Paulo).

Trata-se de um homem de 31 anos já identificado pela polícia, mas que ainda não teve seu nome divulgado e nem onde mora.

A ofensa racial contra Ludmilla é recorrente: “odeio essa criola nojenta” e “a feiosa se acha… putzzz… feia pra caralho”.

Identificado pela polícia, o acusado socorreu-se também das redes sociais para pedir desculpas e dizer que tudo não passou de um “mal entendido”.

Trata-se, evidente, de uma tática escapista e uma tentativa de se defender.

A justiça brasileira tem sido bastante condescendente para casos similares; as condenações são irrelevantes, as penas curtas e amenas e sempre trocadas por “trabalhos comunitários”.

Já passou da hora de trocar essas amenidades todas por sentenças mais duras e eficazes.

Sem querer especular muito, mas especulado um pouco, o agressor está (deve estar) dentro do estereótipo de homem, jovem ou recém-saído da juventude, de educação precária, conservador e refratário aos direitos humanos e às políticas públicas inclusivas.

Dos conservadorismos

As exteriorizações que se opõe às conquistas sociais e ao avanço dos grupos vulneráveis ou, dito minoritários, é um lamaçal com o qual teremos de conviver ainda por muitos anos, quiçá, décadas, e por que não, por séculos.

Trata-se, portanto, de uma luta constante da sociedade contra conservadores e reacionários.

Na abertura do primeiro capítulo de “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Karl Marx diz que “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Tirada de seu contexto, a frase de Marx soa estranha, digamos, fatalista, ou seja, a sociedade humana estaria condenada por toda eternidade a repetir os seus próprios erros.

Há rigor não foi isso que Marx disse, mas sim que “os fatos e personagens de grande importância na história do mundo” tendem a ser copiados e repetidos num modo de farsa, sem, no entanto, perderem-se os danos provocados por eles e seus atos à sociedade.

Sem retorno

Como se disse acima, fora de seu contexto, a oração marxiana soa estranha, o que permite dizer que o pensador alemão descuidou de uma observação mais acurada da história da sociedade, assim como se descuidou ao dizer que “a religião é o ópio do povo”.

Sobre Marx deve se lembrar de que ele viveu em “outros tempos”, analisando e escrevendo sobre “tempos anteriores ao seu”, o que de resto é uma obviedade.

Coube às/aos marxistas e pós-marxistas atualizar o pensador e trazê-lo ao tempo presente.

Sobre o agressor da cantora Ludmilla e seus similares há que se ter presente que são pessoas descontextualizadas, que vivem num mundo à parte, gente incapaz de refletir, de “entender o que se passa”; de gente que ainda não percebeu que a história humana segue em frente, independente de suas existências ou não.

Que não há mais retorno para os avanços individuais, coletivos e sociais.

Que a barbárie da escravidão não tem caminho de volta.

Que a mulher não volta mais para a cozinha como mero complemento do “homem da casa”.

Que a comunidade GBLT vai continuar nas ruas e nos espaços de trabalho, de arte, da política etc.

Que o que se define como direitos humanos não mais retrocede, pelo contrário, tende só a se espraiar e a aumentar a sua ação.

Que os programas sociais inclusivos (internacionais ou locais) se solidificam dia-a-dia e avançam por todo o Planeta (mesmo que se tenha de vencer uma miríade de obstáculos).

Não há mais retorno. O retrocesso não é mais possível.

Que os conservadores e reacionários durmam com isso.

Se querem sonhar, que sonhem, se não, que o sonho seja um grande e infinito pesadelo.

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