Romero Jucá, o saque de minérios da Amazônia e o atropelo dos direitos indígenas, segundo Egydio Schwade

Romero Jucah
Romero Jucá, ex-superministro do governo Temer, principal articulador da entrega das reservas minerais da Amazônia – foto: http://www.correiobraziliense.com.br

Em dois artigos no blog Casa da Cultura do Urubuí , Egydio Schwade traça com tintas densas o papel desempenhado pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR) nas artimanhas que continuam permitindo o saque dos recursos minerais da Amazônia, bem como o atropelo dos direitos indígenas que habitam o território nacional.

Schwade é um incômodo para exploradores, invasores de terra, torturadores e para toda a ardilosa política anti-indigenista brasileira.

Não bastasse tudo isso, Egydio Schwade foi o responsável pela entrada de índios e quilombolas nas investigações da Comissão da Verdade, coisa que estava relegada ao limbo da história.

Conheço Schwade há muitos anos, desde a década de 70. Atuamos juntos na mesma ONG, a Opan (Operação Amazônia Nativa).

Tanto a criação da Opan (em inícios dos anos 60, em Caxias do Sul, RS), quanto do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) muito se deve a Schwade.

Leia abaixo os dois artigos de Egydio Schwade, com seus respectivos links que permitem acessar os textos no original. (1)

Por que o Jucá se tornou o superministro? – I

Vou iniciar com uma história bem pessoal.

Em 1985, fim da Ditadura Militar, a convite de um amigo, Ezequias Heringer – Xará – participei, junto com a família, de um grupo de Estudos e Trabalho-GET da Funai. O GET objetivou uma nova política indigenista oficial para o povo waimiri-atroari, após o genocídio sofrido durante a ditadura. A primeira decisão do GET foi iniciar uma experiência de alfabetização daquele povo na sua língua materna. A execução dessa iniciativa coube a nossa família.

Adotamos o método Paulo Freire, onde, desde o início. os índios tiveram o domínio do processo.

A experiência inédita foi elogiada e recomenda pelos especialistas da Funai. Mesmo assim, em dezembro de 1987, foi interrompida pelo presidente do órgão, Romero Jucá. Em campanha caluniosa que se seguiu, Jucá acusava-nos de estrangeiros (eu gaúcho e minha esposa catarinense), a serviço de mineradoras da Ásia. (Vejam O Estado de São Paulo 08-15 de agosto de 1987, Campanha contra o Cimi).

A campanha do Estadão foi financiada pela Paranapanema, dona da Mineração Taboca que explora a maior mina de minérios estratégicos em atividade no mundo, localizada na Reserva dos Índios waimiri-atroari.

O controle acionário da Mineradora Taboca, em verdade, era exercido por duas firmas japonesas: o Industrial Bank of Japan e a Marubini, acobertadas por “laranjas” brasileiros, entre os quais os irmãos Silvio e José Carlos Tini, este íntimo de Daniel Dantas e Nagi Nahas.

Ainda como presidente da Funai, Jucá assinou no dia 18 de maio de 1987 a Portaria DNPM/O1/87, que visava autorizar a exploração mineral em áreas indígenas, mas foi derrubada pelo Congresso Nacional. Tanto para a presidência da Funai, como para governador do Estado de Roraima, Jucá foi nomeado por José Sarney, ex-presidente da Arena, partido dos ditadores.

Depois foi eleito senador por Roraima. É óbvio, com toda esta “amizade mineradora multinacional” e não apenas da Ásia! Ontem, como presidente da Funai, governador e senador, e hoje, como superministro, seu interesse não foi e não será o Brasil.

Jucá continuará o principal articulador da entrega das reservas minerais da Amazônia para as empresas, cujo único interesse é saqueá-las e exportá-las como commodities.

Convém ainda observar que existe uma política oculta no Brasil com relação aos minérios estratégicos. 98% de alguns deles, como nióbio e creolita, se localizam em território brasileiro. E são hoje, por motivo de traidores da pátria, como Jucá, objeto de mero saque.

Por tudo isso, a todos e a todas que forem às ruas pelo fim deste governo golpista todo o meu apoio. Presente!

Casa da Cultura do Urubuí, 19 de maio de 2016, Egydio Schwade.

Link: http://urubui.blogspot.com.br/2016/05/por-que-o-juca-se-tornou-o.html

Por Que O Jucá se tornou o superministro? – II

A geopolítica estatal dos grandes projetos na região amazônica (mineração, rodovias, agronegócio, hidrelétricas, exploração madeireira) é um campo fértil para a ação de ladrões nacionais e estrangeiros.

Daí, talvez, se possa entender por que os dois superministros, o do Collor e o do Temer, saíram da Amazônia: o senador Bernardo Cabral, do Amazonas, e o Romero Jucá, de Roraima.

Discretamente, durante a campanha eleitoral de 1989, Cabral conseguiu a aprovação de uma vultosa verba para o asfaltamento da BR-174, Manaus-Boa Vista.

Mas a verba não asfaltou um só metro da BR-174.

Deve ter “asfaltado” a estrada do Collor ao poder em tempos de PC-Farias.

Já o Jucá está envolvido não apenas na corrupção do Petrolão, mas muito mais no saque mineral da Amazônia.

Acho que este é o caso mais grave de corrupção da História do Brasil. Lamentavelmente, ainda não apurado pelo Ministério Público Federal.

As terras brasileiras escondem o maior tesouro de minérios estratégicos do mundo.

Em artigo na revista Rainha, sob o título: “Nióbio, o minério revelador da política oculta brasileira” Roberto Galery afirma: “Com todo esse monopólio, poderíamos supor que o exploramos de forma a beneficiar o nosso próprio país. Não é bem isso o que acontece”. E continua: “Apesar do nosso monopólio indiscutível, seu preço não é determinado pelo Brasil, mas pela Bolsa de Valores de Londres,” embora devesse ser “balizado” pelo país que o possui.

Os minérios estratégicos que são hoje explorados na Amazônia, como aqui no município de Presidente Figueiredo (AM), pela Mineração Taboca, são de imensa importância. Assim com uma quantidade mínima de nióbio, “misturado ao ferro ou a outros minerais, como o titânio, se produz as superligas, aços de excelente resistência e durabilidade, usados para a produção de aviões a jato, turbinas, foguetes, mísseis, equipamentos de ressonância magnética, satélites, submarinos e as estruturas metálicas mais resistentes e mais leves já produzidos no mundo (30% menos peso) tornando-se assim, um minério estratégico para o desenvolvimento tecnológico no século XXI”.

Na Amazônia este minério é simplesmente saqueado. E para ocultar o crime do saque necessitam-se de traidores da pátria.

Romero Jucá é um personagem que tem uma trajetória de traições aos brasileiros mais vulneráveis, os índios, onde sempre se distinguiu como articulador da entrega a empresas, dos recursos naturais de suas terras, em especial, os minérios.

Como Presidente da Funai, como governador biônico de Roraima e como senador do mesmo Estado, sua preocupação foi acobertar, sem pudor, empresas (inclusive empresa de sua própria filha) e criar leis que favoreçam o acesso às minas em terras indígenas, às empresas mineradoras.

Teve este objetivo a Portaria DNPM/O1/87, quando presidente da Funai e o PL 1610/1996, como senador.

Ambas objetivam autorizar o saque dos minérios em áreas indígenas, sem falar das incontáveis intervenções no Senado.

Não só porque nas terras indígenas existem minérios cobiçados por todos os países industrializados do mundo, mas também porque elas são muito vulneráveis.

Áreas, onde as empresas, uma vez autorizadas, se protegem atrás desse tipo de lei para saquear à vontade. A mineração se torna automaticamente um ambiente oculto, segregado do controle da sociedade nacional, um verdadeiro Kuait brasileiro.

É isto exatamente que vem ocorrendo aqui no município de Presidente Figueiredo, onde multinacionais vem saqueando, desde 1981, os minérios estratégicos mais cobiçados do mundo, sem controle algum do Estado brasileiro.

Para ocultar estes crimes entram em cena os traidores da pátria, apoiados por poderosos esquemas políticos e por empresários dos países industrializados.

Casa da Cultura do Urubuí, 23 de maio de 16, Egydio Schwade.

Link: http://urubui.blogspot.com.br/2016/05/por-que-o-juca-se-tornou-o_25.html

(1) Os textos como estão publicados acima sofreram pequenas intervenções: (a) para a correção de algumas impropriedades com a língua portuguesa; (b) as palavras que nos textos originais estão grafadas em CAIXA ALTA foram alteradas para caixa alto/baixo; (c) ambos os textos tiveram suas divisões de parágrafos alteradas para facilitar a leitura; (d) nesta republicação seguiu-se as normas gráficas e editorias adotadas por este blog, como, por exemplo, aspeamento e citação em itálico; (e) não houve corte ou acréscimo nos textos originais de Egydio Schwade.

Outras leituras

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Comissão_Nacional_da_Verdade

Direito Memória Verdade Direitos Humanos DHnet Historia Historico …

www.dhnet.org.br/direitos/direito_memoria/index.htm

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