A importância do jornalismo se revela nos prós e nos contras

Sergio Machado
Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (ué, agora a gente já confia no PIG?)

Conheço um palmeirense que foi ao Morumbi para assistir a última partida da Libertadores de 1992, quando o São Paulo bateu o argentino Newell’s Old Boys nos pênaltis.

Torcedores adversários costumavam frequentar Vila Belmiro, Pacaembu e Morumbi para ver o Santos de Pelé, Coutinho e Zito; assim como não-botafoguenses e não-flamenguistas corriam ao Maracanã para se deliciarem com os timaços comandados por Garrincha, Nilton Santos e Didi, e por Zico, Júnior e Adílio.

Interessante notar como um espaço facilmente associado ao machismo, à homofobia, ao fanatismo e à violência guarde em alguns de seus cantos traços de uma civilização mais sofisticada.

Mas nem toda atividade humana tem essa sorte.

Dos hedonismos

Há tempos, um jornalista da Folha de São Paulo, um dos muitos fernandos que existem por lá (não lembro mais qual), se alegrava ao perceber que a maioria de seus leitores o criticavam duramente.

Para ele, isso era a prova de que seus textos eram bons e instigavam a reação dos leitores, acostumados (deduz-se) a uma vida modorrenta e pouco atenta.

Não deixa de ser uma visão hedonista, lembrando que hedonismo é a “determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral”.

Talvez a Folha seja toda ela hedonista, especialmente a partir da década de 70 quando se reinventou e rejuvenesceu.

Um sujeito com quem trabalhei, leitor diário da FSP, dizia ser o jornal paulistano “hipocritamente democrático”, pois contemplava entre seus profissionais e colaboradores um grupo que variava da extrema direita à extrema esquerda, postura que se mantem até hoje.

Dos rótulos

A Folha está catalogada no rol do PIG (Partido da Imprensa Golpista), rótulo inventado por um jornalista, apresentador e blogueiro que se diz “de esquerda”, coisa não-confirmada, pois ele já trafegou, durante toda sua carreira, por todos os espectros políticos e ideológicos, dependendo que quem lhe pagasse o salário.

Dos embaraços

A divulgação, esta semana, do teor do auto grampo de Sérgio Machado, justamente pela FSP, trouxe embaraços para os rotuladores.

Houve quem tenha se feito de morto ou desentendido, tratando o material divulgado sem citar o jornal paulista.

Outros viram intenções em proteger o tucanato paulista e em demonizar o PMDB, o DEM e outros que ainda não haviam sido devidamente demonizados.

Mais outros, que o teor da divulgação iria, mais cedo ou mais tarde, atingir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, este o alvo final do PIG e das investigações da Lava Jato.

Das culpas

Não se coloque sobre a cabeça da Folha e de seus profissionais uma aura de santinho.

Como todos e como tudo na vida, o jornal tem acertos e erros – quem não há de?

Às vezes extrapola nos seus equívocos e, por isso, muito justamente é criticada.

Mas também não se há de colocar um tridente em suas mãos.

Talvez devamos olhar como exemplo o comportamento, civilizado, de certos torcedores de futebol, ou, quem sabe, refletir um pouco mais se nossas reações abruptas não são apenas irascíveis, uma exteriorização de nossa incapacidade de enxergar a vida com equilíbrio ou isenção.

Ou mais ainda, quem sabe devamos fazer uma profunda reflexão sobre a nossa formação e descobrir onde foi que os nossos pais falharam.

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