Barbárie se repete estimulada pelas redes sociais, por apoios, indiferenças e impunidade

Estupro

Nosso grupo de defensores de direitos humanos esteve diretamente envolvido nas ações para a soltura de uma adolescente de 15 anos presa (o caso não foi de apreensão, portanto), em novembro de 2007, em uma cela de cadeia no município de Abaetetuba, no interior do Estado do Pará, juntamente com 20 homens adultos.

Não é difícil imaginar o que aconteceu com a adolescente durante os 30 dias em que permaneceu encarcerada.

Libertada, a adolescente foi removida para Brasília e incluída no Programa de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas (Provita).

Uma semana após estourar o caso de Abaetetuba outro similar nos foi denunciado, agora no entorno de Brasília, no município goiano de Planaltina de Goiás.

A história se repetia rapidamente, o que nos leva à conclusão de tratar-se de prática corriqueira em todo país.

Do modus operandi

As explicações e as justificativas seguiram uma lógica distorcida e pervertida: as jovens eram bandidas, vagabundas, putas; as cadeias não tinham celas destinadas às mulheres; os municípios não possuíam conselhos tutelares.

Sem entrar nas minúcias da legislação, há que se dizer, no entanto, que adolescentes infratores não são presos, mas apreendidos e não se prende ou apreende mulheres em celas masculinas.

Nos casos que envolvam menores e adolescentes, as vítimas devem ter, necessariamente, acompanhamento de conselheiros tutelares.

Ao preso ou apreendido que não tenha recursos para arcar com sua defesa é garantida, por lei, a advocacia gratuita.

Das repercussões

Embora em ambos os casos ainda não tivéssemos as redes sociais, as repercussões foram intensas, com a maioria dos pitaqueiros e pitaqueiras de plantão condenando as vítimas a priori e demonizando o trabalho dos defensores de direitos humanos, essa gente, nós, que só defende bandidos, no caso, bandidas.

Dos 33

O caso recente ocorrido no Rio de Janeiro, onde uma adolescente foi estuprada por 33 homens, está a escandalizar não apenas o país, mas a mídia internacional.

Mas assim como nos casos reportados acima, e agora com a força das redes sociais, os estupradores ganharam milhares de apoiadores e de defensores.

Se o vídeo do estupro e as postagens iniciais foram retirados da web, o crime continua reverberando “positivamente” nas áreas de comentário da imprensa tradicional (jornais, revistas, TVs, rádios e sites).

É só entrar em algum deles, e sugiro como exemplar a área de comentários do blog do jornalista Mario Magalhães.

Magalhães, inclusive, faz o que qualquer jornalista com um mínimo de caráter e de consciência deveria fazer: a lincagem do estupro com a visita de Alexandre Frota ao ministro da educação e a responsabilização tanto do ministro quanto do interino Michel Temer nessa sujeirada toda.

Das censuras

Há quem defenda que os meios tradicionais de comunicação deveriam retirar de suas páginas esses comentários, numa ação de “censura justificável”.

Discordo, não por parecer censura, mas para deixar expostos os insanos que apoiam a barbárie e atacam quem a denuncia.

Assim como o vídeo, os comentários e os compartilhamentos originais, comentários apoiadores como esses se constituem em farto material de exposição da insanidade brasileira e são úteis para a localização, identificação, abertura de processo e prisão dessa gente toda.

São todos eles, indistintamente, criminosos, tenham praticado a barbárie ou simplesmente apoiado.

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