Nas lutas sociais só não vale se omitir, falsear e mentir

Pinoquio
Pego gazeteando aulas, Pinóquio se defendia, mentindo não ter casa. Cada vez que reafirmava a mentira, mais seu nariz crescia – Reprodução

Legalmente sou um sujeito aposentado (desde março do ano passado).  Jornalista de profissão, continuo fazendo jornalismo e em alguns momentos edito livros (já foram mais de 140).

Participo de alguns projetos sociais, especialmente na Amazônia, e sou um ativista ou defensor (como queiram) de direitos humanos. Dessa atividade não abro mão nunca.

Para algumas pessoas sou um MAV (militante de ambiente virtual). A sigla, que a rigor quer dizer Militância em Ambientes Virtuais, nasceu durante o 4º Congresso do PT, em 2011, em Brasília.

Não estava lá. Nem sou filiado ao partido, nem petista e nem cobri, como jornalista, o evento.

Com um pouco de desconforto aceito o carimbo, mas não gosto da palavra “militante” – prefiro “ativista”.

Das discórdias

Já me envolvi em vários perrengues com um número enorme de pessoas. Muitas de direita, outras tantas de esquerda.

Tenho uma antipatia profunda e irremovível por informações falsas, por discursos histéricos e fanáticos e, principalmente, por mentiras (a omissão é uma forma de mentir).

Já pratiquei isso que condeno duas vezes. A primeira não me lembro sobre o que era, mas na segunda publiquei em meus perfis sociais uma foto da Venezuela como se fosse de uma manifestação pró-Dilma no Recife.

Em ambos os casos alguém me chamou a atenção para o deslize e de pronto reconheci o erro e me retratei.

Para algumas pessoas isso é uma virtude; para um número maior, uma estupidez, pois na luta social vale-tudo.

Discordo!

Das opiniões

Não costumo deletar pessoas de minhas redes sociais. Se fiz isso, fiz raras vezes.

No geral sou deletado. Já foram incontáveis vezes, mas creio que tenha ultrapassado a casa dos 2.500 (amigos perdidos).

Esses problemas todos também atingem o meu blog, o afalaire, que está hospedado em dois endereços: https://afalaire.wordpress.com/ e http://afalaire.blogspot.com.br/. Uso mais o primeiro por ser ele mais funcional.

Em blog você não tem amigos, tem leitores, seguidores e eventuais comentadores.

O primeiro e maior atrito que tive no afalaire foi por conta do julgamento dos implicados no “Mensalão do PT”, especialmente por conta a figura de José Dirceu.

Em algumas postagens comparei o que acontecia com Zé Dirceu ao acontecido com várias figuras históricas e notáveis, como Joana D’Arc e Tiradentes.

A analogia com Tiradentes desencadeou uma reação furiosa de um grupo de leitores, me acusando de “proteger e defender bandido”, de ser um “comunista de merda”, “petralha” e de outros mimos.

Fugi da lógica segundo a qual não se responde a comentários e usei, como resposta, aquilo que a minha ex-esposa, Suely, classifica como uma “língua ferina e cortante”.

Os caras nunca mais apareceram por lá.

Outro entrevero interessante ocorreu no Facebook envolvendo duas garotas que se diziam de esquerda, feministas e petistas.

A história girava em torno da morte do cantor goiano Cristiano Araújo, em junho do ano passado.

Elas não gostaram das observações nada lisonjeiras ao ídolo sertanejo-universitário.

Ambas, embora não se conhecessem (acho que não se conheciam), me acusaram de ser velho e de só gostar de velharia, como Chico Buarque, Caetano Veloso e demais.

Disseram que eram jovens, gostavam de se divertir e de dançar, coisas que eu não deveria estar mais fazendo por conta de minha provecta idade.

Acertaram pelo menos numa coisa: detesto dançar. Nunca aprendi a fazer isso.

Me contrapus à argumentação de ambas dizendo que não era uma questão de gosto, mas de qualidade das músicas e da ideologia das letras.

Pedi que elas analisassem melhor as letras das músicas do ídolo sertanejo-universitário, quem sabe assim percebessem o quanto sexista/machista eram elas, o que não combinava, de jeito nenhum, com uma militância esquerdista e muito especialmente com o feminismo.

Em menos de uma semana ambas me deletaram de seus círculos de amizade.

Das distorções

Se omitir é uma forma de mentir. Não perceber a ideologia das músicas do ídolo sertanejo-universitário é uma postura omissa, mentirosa e alienante (para quem se diz de esquerda e feminista, óbvio).

Na cultura popular, a mentira tem nariz comprido e pernas curtas.

O nariz comprido quer dizer que a mentira e a falsidade estão estampadas na cara do mentiroso.

As pernas curtas, que a mentira, seja qual for, não vai muito longe, tem vida breve.

Entendo que usar desses subterfúgios todos (mentira, desinformação, discursos histéricos e fanatizados) não levam a lugar algum.

Muito pelo contrário: só depõem contra quem os usa e enfraquecem as lutas sociais.

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