Quais foram os livros mais difíceis que você leu?

LIvros
Crédito: canaltech.com.br

Fui alfabetizado no ano em que completei 8 anos. Isso era normal para quem nascia no segundo semestre (sou de outubro) e não podia se matricular antes de completar 7 anos.

Sempre achei essa medida muito boa. Alfabetizar crianças precocemente não leva ninguém a lugar algum. Ninguém vira gênio porque soube ler antes dos outros.

Fui o segundo da turma. Minha mãe disse que fui o primeiro, mas que a professora alterou as notas para favorecer um sobrinho.

Coisas de mãe!

Ganhei como prêmio uma versão infantil de As mil e uma noites.

Uma droga!

As mil e uma noites é uma coleção de histórias e contos populares do oriente médio e do sul da Ásia com certo componente erótico.

Os contos, além de resumidos, perderam a sua carga erótica. Por aí já dá para perceber que porcaria foi que ganhei.

Das jornadas

Minha família era pobre pra danar. Não existiam livros em casa, apenas um exemplar de “Ei de vencer!”, um livro de autoajuda que minha mãe adorava.

Nunca li o troço. O título me causava asco. E também ele não adiantou nada: continuamos pobres de dar dó.

Para piorar a situação em Cotia não existiam bibliotecas. Nem nas escolas.

O jeito foi aprimorar o hábito de leitura com a Última Hora paulista que meu pai comprava diariamente.

A coisa melhorou lá pelos meus dez anos quando meu pai comprou uma banca de jornal.

Eu passava o dia lendo: jornais, revistas, almanaques, gibis (HQ) e tudo o que passasse por ali.

Ajudou um bocado.

Dos livros

Passei parte da minha adolescência “emprestando” livros de amigos e conhecidos, até que arrumei meu primeiro emprego e passei a comprar os meus.

Ninguém pode dizer que leu todos os livros já editados; mas alguns, como eu, tem a veleidade de dizer que já leram “um bocado”.

Não faço exatamente uma distinção entre ficção e não ficção, mas procuro me manter na linha dos “clássicos”.

Bem… aí surge um problema sério: que diabos vem ser “clássicos”?

Trata-se de uma “definição” elástica e portanto cada um tem os seus.

Acho que tenho uma dica: “clássicos” são aqueles que influenciaram pessoas e pensamentos, e deram ensejo a inúmeras traduções, citações, estudos, teses, papers e o diabo a quatro.

Mesmo assim é desonesto dizer que, pelo menos, lemos todos os “clássicos”.

Não ia dar tempo. Precisaríamos de umas quatro ou cinco vidas a mais de pura vagabundeação e só de leitura.

Das dificuldades

Se não li todos os livros e nem todos os clássicos, mas, pelo menos, penei (e ainda peno) com algumas obras.

Aquelas que são extraordinárias e que você não pode deixar de lê-las antes de desembarcar desta vida rumo ao além.

Elejo três:

Ulisses, de Joyce. Há uma ótima e indecifrável tradução de Antônio Houaiss para o português. O meu exemplar é da editora Abril, mas o texto foi editado seco, sem notas, sem prólogos, sem introdução, sem glossário, sem coisa alguma.

Divina Comédia, de Dante Alighieri. Em italiano ou em qualquer tradução é a própria fusão do inferno com o purgatório, mas sem o paraíso. Sem um bom roteiro, sem um bom guia de leitura você não chega a lugar algum.

Fausto, de Goethe. Não sei coisíssima alguma de alemão, portanto apelei para a tradução brasileira. Apesar dos esforço da editora com suas notas de tradução o texto é encardido e indigesto. Se alguém disser que “entendeu tudinho” o que Goethe escreveu ou eu me mato, ou mato o desafeto.

E aí, quais são os seus?

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