Sem organização social não há saída possível

Occupy
Indígenas da Amazônia brasileira se reúnem para enfrentar problemas causados pela usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará – auto-hermes.ning.com

A fragmentação dos grupos sociais é o elo dos sistemas políticos. Foi norma vigente no socialismo científico, é norma vigente no capitalismo. Apenas a união e a organização social são capazes de exterminar os sistemas.

A mitologia liberal, criada a partir dos anos 90, garante que foram Reagan (o ator-presidente norte-americano) e as corridas armamentista e espacial que derrubaram o muro de Berlim.

Olhando-se mais atentamente percebe-se que foram outras as razões: a ausência de liberdades civis e o não atendimento às necessidades e aos anseios de um povo que já não mais passava fome.

A gente não quer só comida / A gente quer comida / Diversão e arte / A gente não quer só comida / A gente quer saída / Para qualquer parte…” (Comida, Titãs).

A fissura no sistema capitalista, iniciada pela crise agrícola dos anos 20, nos EUA, se avolumou com a superação do yupismo (anos 80/90) e o consequente aumento da pobreza nos países europeus de capitalismo avançado e no norte da América.

A consequência foi o surgimento dos occupy e seu espraiamento pelo mundo.

Dos sinais

Os descontentamentos com os sistemas políticos (ideológicos?) são velhos conhecidos da contemporaneidade. Já aparecem nos movimentos anarquistas europeus (sécs. 19 e 20), na literatura de Karl Marx, nos movimentos anticolonialistas na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania, por exemplo.

Faltava um elo a ligá-los, e ainda falta.

Urgências arrivistas e classistas explicam o fenômeno da desunião e da falta de coesão.

Iniciativas foram tomadas, é verdade, para superar a fragilidade. O concilio vaticano segundo (1961) conclamava os povos (pobres e oprimidos) a tomar as suas histórias nas próprias mãos, e, mais recente, mas fruto da mesma árvore, o fórum social mundial que “outro mundo é possível”.

O que deu errado? Nada, fora alguns desvios de rota, algumas capitulações e alguns entreveros entre grupos e seus interesses.

No mais, “a luta continua, companheiro”, lenta, como sempre, mas inexorável.

Da práxis

O atribulado século 20 e este início de milênio, aparentemente, colocaram por terra as utopias, que assim como Deus e as religiões são dadas como mortas.

Não apostaria em nada disso. Estão todos vivinhos da silva e podem nos ser úteis de um jeito ou de outro.

Ao que parece, no entanto, que foram à cova os partidos políticos e já está no necrotério o sistema capitalista.

Mas se vamos enterrar tantos defuntos assim, é melhor pedir ajuda ao velho e bom Marx, às reflexões modernas do anarquismo, ao linguista Noam Chomski, ao trabalhismo que fez nascer o Partido dos Trabalhadores, à união dos povos indígenas e quilombolas e aos modernos e contemporâneos discursos do norte-americano Bernie Sanders e do britânico Jeremy Corbyn.

Das imagens

Um fato importante para nós (embora pequeno para o exterior) ocorrido esta semana em Brasília ilustra o novo contexto e chama à união.

Servidores públicos federais varreram e lavaram a entrada do prédio ministerial e arribaram da cadeira o ministro da Transparência do interino Michel Temer.

Como escrevi mais cedo nas redes sociais, “não precisa nem de água e sabão em pó; se varrer bem a esplanada dos ministérios cai todo mundo”.

Mas, sem organização e coesão social não haverá como.

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