Capital X Trabalho: quem depende de quem?

Comunismo

Nos últimos dias assisti a dois “filmes de espião” – A Trajetória de Worricker (Turks & Caicos) [2014] primeira e segunda partes –, direção de David Hare.

A história é a seguinte: o agente Johnny Worricker (Bill Nighy) [MI5 –agência britânica] tenta desmontar um grupo de empresários corruptos (a gente já viu essa história por aqui?) que constrói campos de prisioneiros espalhados pelo mundo após os atentados de 2001 nos Estados Unidos, superfaturando obras e corrompendo políticos (será que a gente conhece isso?).

O filme é o banal de sempre com assassinatos, traições, corrupções e aventuras, mas tem uma figura interessante que pouco aparece (nas duas partes): Stirling Rogers (Rupert Graves)

Quem assistiu Perdas e danos, de Louis Malle, deve se lembrar de Graves (Martyn Fleming), jornalista novato e em ascensão, filho do político dr. Stephen Fleming (Jeremy Irons) e namorado de Anna Barton (Juliette Binoche).

Ana e dr. Stephen são amantes, o que leva a crer que o filme de Malle terminará em tragédia.

Mas não interessa. Quem quiser que veja o filme, que é ótimo.

Dos encantamentos

Stirling Rogers é o típico empresário moderno: bonitão, charmoso, educado, fino, rico, hedonista e …  corrupto.

Rogers não admite que esteja fazendo nada de errado, de irregular, embora seja ele quem chefie o grupo e faça o dinheiro da corrupção drenar para os bolsos e para as contas bancárias dos políticos (também já conhecemos essa história, pois não?).

Mas o que encanta o empresário não é a riqueza, nem o poder, mas sim o caminho que o dinheiro percorre para gerar desenvolvimento e… até empregos.

Dos empregos

Eis que chegamos ao nó do Capitalismo: quem depende de quem? O capital, do trabalhador ou o trabalhador, do capital.

Há alguns anos, um empresário fez uma ameaça velada de me dispensar porque eu era chato e contestador (que injustiça!).

Disse-lhe que tudo bem. Ele poderia fazer isso e até sair ganhando com a história. Com o que ele me pagava (mais os encargos sociais) poderia perfeitamente contratar uns 4 ou 5 no meu lugar.

Das fábulas

Data de anos anteriores quando criei uma fábula que em síntese era a seguinte:

– pegaríamos um grupo de pessoas (três casais) e o colocaríamos num lugar remoto da floresta amazônica sem mais nada que a roupa do corpo;

– no mesmo momento pegaríamos 100 milhões de dólares, colocaríamos num cofre e o deixaríamos num outro local remoto da Amazônia.

Estamos falando de fábula, de condições ideias previamente acordadas; ou seja, os casais não fugiriam para outras regiões e ninguém acharia o cofre com os 100 milhões dólares.

Voltaríamos dois anos depois para descobrir o que havia acontecido com ambos – os casais e a grana.

Um cínico, que não prestou a atenção ao aviso de que isso é uma fábula, provavelmente diria que os casais teriam morrido de fome ou por outra razão qualquer.

Na fábula ou fora dela eu não apostaria nessa hipótese. Creio que eles construíssem cabanas, cultivassem plantas, domesticassem animais e até tivessem filhos.

Esta é uma hipótese bastante aceitável e verossímil.

Mas e o dinheiro? Os 100 milhões de dólares?

Como ninguém pode encontrá-lo, pois se trata de uma fábula, ele continua por lá, dentro do cofre, sem caminhar os caminhos com os quais sonha Stirling Rogers e sem gerar desenvolvimento e empregos.

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